A relação criança versus coisas não viáveis de serem compradas em supermercados permite a quem por ventura passa por tal embate – segundo meu parco, raso e furado juízo – incríveis estudos, divagações e, principalmente, fiascos públicos. Há de existir algum entendido ou desocupado qualquer que explique a atração (eletro, magnética, nuclear, por bluetooth, wifi ou coisa que o valha) para mãos de criança e objetos que não constam de nossa lista de compras, em especial os frágeis e que custam caro. Notoriamente, a escolha de qualquer coisa passível de destruição considera majoritariamente algumas decisões: o que é chamativo, inútil, artificial, colorido, engorda, estraga e, como já foi dito, muito caro.
Nesse contexto, manifesto aqui minha solidariedade aos pais que contemplava diante de árduas contendas em supermercados até tenros tempos, confesso que nem ligava para aquelas pobres almas, sofrendo com as agruras dessa complexa relação. Registro minhas escusas, compartilhando momentos de tensão enfrentados recentemente: ao escapar do meu raio de visão por um micro milionésimo de segundo, eis que minha exemplar de filhote humano opta pela garrafa mais cara do destilado mais nobre da parte mais alta da seção mais chique do supermercado, com a cena passando em slow motion na minha frente, antevendo e temendo um final nem um pouco feliz.
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Felizmente, a garrafa saiu ilesa a tempo pois, sei lá como, obtive êxito em colocar minha mão no trajeto mãozinha/garrafa/chão, com a garrafa escapando ilesa. Quanto a mim, é provável ter alcançado algo próximo a mil batimentos cardíacos por minuto, após evitar o sumário fim da garrafa que custava quase um salário-mínimo e a despesa não programada em meu orçamento. Tão logo esse meu heroico ato findou, fez-se necessário o uso de todas as técnicas de relaxamento possíveis, passíveis e impossíveis para com minha filha, obviamente sem lograr nenhum resultado prático tendo em vista o intuito dela de destruir mesmo, sem dó. Além disso, manifestações efusivas e contrárias ecoaram por um raio de dezenas de metros e em algumas centenas de decibéis, combinadas ao choro forçado digno de interpretação holiwodiana. Todavia, bravamente venci aqueles corredores que pareciam não ter mais fim e cheguei até o caixa nessa penosa situação, com as devidas atenções de todos os presentes voltadas à minha árdua contenda.
A rendição teve um preço: o investimento financeiro em uma barra de chocolate. Minha aplicação mostrou-se extremamente exitosa, na medida em que fez cessar todo berreiro e, tão logo abriu-se a embalagem, voltou o sorriso em mim e nela. E assim, sacolas em uma mão e mãos dadas na outra além das bocas lambuzadas de chocolate, a paz voltou a imperar na saída do supermercado.
Sem explicação. E com muito amor.
mateus
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Mateus Araújo

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