Lembro como se fosse hoje. Nós dois correndo na beira da praia, cantando, brincando de lutinha na areia e depois correndo no mar para tirar a sujeira. Tu me abraçavas, olhavas meu rosto e o segurava como se o mesmo fosse uma joia a qual tu deverias cuidar. E cuidastes. Tu fizeste de tudo por mim e provou ser alguém maior e melhor do que eu havia imaginado. Veio dos meus sonhos para mostrar que a realidade também pode ser linda, ela apenas precisa saber ser vivida e essa lição eu tive ao teu lado.

Cada separação era um martírio eterno. Na porta da minha casa nós não conseguíamos dar tchau e simplesmente deixar o outro ir sabendo que nos veríamos na manhã seguinte. Era impossível olhar nos teus olhos e não ter vontade de nadar, sentir teu toque e não querer apenas ele a me acariciar, a me tocar. Ficar contigo e não ter a certeza de que nada mais importava desde que estivéssemos juntos.

Contigo tudo sempre foi mais lindo, mais cheio de vida, luz e cor. Ao teu lado o cantar dos pássaros era mais alto e o meu coração batia tão acelerado que às vezes te assustava, mas ao sentir o teu eu me aliviava ao saber que tu estavas sentindo o mesmo que eu, o mesmo frio na barriga que eu e querendo da mesma forma que o tempo parasse para que ficássemos para sempre ali, só nós dois, pelo resto da eternidade.

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Mas o tempo não parou e parece que o relógio acelerou. O verão acabou e do dia pra noite tu não estavas mais lá e ao sair para rua não tinha mais o teu suporte para me sustentar. As horas se tornaram vazias e novamente nada fazia sentido. Uma vez lá que outra o meu celular tocava e ao avistar a tela eu via o seu rosto e esse era o melhor momento do meu dia. Mensagem sua chegando e eu corria para responder. Alguns papos legais, falávamos de saudade, pensávamos em nos encontrar, mas no fim aquilo não ia pra frente. Não éramos os mesmos, tu não eras o mesmo e eu definitivamente estava diferente. Nossa conexão se afundou no mar do nosso amor que tão profundo no início, acabou secando e deixando um vazio úmido nos nossos corações, fazendo o desejo queimar, a saudade clamar, mas sem nunca nada realmente rolar.

Onde nós fomos parar? Por mais que ainda te ame e queira te ter ao meu lado, no fundo sei que não daria certo e sinto que hoje posso viver nesse deserto. Nossas mãos não se encaixariam de novo e o abraço talvez não causasse o mesmo impacto. Entramos em esquinas diferentes e então nos perdemos na estrada da vida. Peguei um rumo, tu pegaste outro e se não nos encontrarmos novamente no cruzamento à frente… É, as vezes só não é pra ser.

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Nathaly Bonato

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