Fecha a rede social, avisa que volta logo e silencia o Whatsapp, checa as últimas curtidas e fecha outra rede social, bota o celular no modo avião e enfia ele no bolso. Melhor, desliga essa droga e deixa ele em cima da mesa. Tira esse jeans apertado e esse tênis que te deixa sufocado e coloca umas roupas confortáveis. Te desconecta e sai por aí. Sai atrás de novos horizontes, limpa a mente, faz uma higiene mental. Caminha, corre, cansa. Acha uma piscina, faz uns polichinelos, deixa esse coração acelerado e bombeando sangue desesperadamente para o resto do corpo. A gente tá prestes a enlouquecer com essa rotina digital, sendo refém de celular.

Caminhando na rua e olhando pra tela. Numa roda de amigos e olhando pra tela. Do lado do seu amor e olhando pra tela. Um café com os pais e olhando pra tela. Nem lápis e caneta usamos mais se precisar fazer uma simples anotação. É tão genial que nos deixa estúpidos. Chegamos no dia em que a revolução tecnológica foi tão grande que dá pra trabalhar, se divertir, fazer contas, cronometrar, interagir com os amigos, falar por texto, por áudio e por vídeo com quem a gente gosta, assistir os vídeos do jogo de ontem, se informar com as últimas notícias do mundo inteiro, ouvir qualquer música que der na telha, contar calorias e exercícios tudo no mesmo aparelho. Desaprendemos a separar as atividades. É tudo ao mesmo tempo, não respeitamos o tempo de cada coisa. Pior que isso: não damos um tempo sequer para o cérebro respirar. Por isso respira fundo e sai, toma um sol na cabeça ou uma chuva na cara. Desconecta as ideias do mundo inteiro e te conecta contigo. Quem sabe essas tristezas repentinas que nos vem, essas agonias por estar empacado no mesmo lugar, essas pequenas doses de desespero diárias possam cessar por um tempinho se a gente parar um pouco de se preocupar com o que rola na vida das outras pessoas.

Qual efeito ele usou na foto? O que será que ela tuítou? Como eles tão bem nesse check-in…

Chega dessa p#rr@! Chega de vida dos outros e bora viver a nossa. Passar um fim de semana inteirinho sem nada de e-mails, snaps ou novos posts. Pés descalços, brincar na grama, na areia, na casa da vovó. Sei lá, acha algo que te tire um pouco dessa vida! Que te inspire a fazer coisas melhores, a crescer e ser mais interessante. Fotografa uma flor, uma paisagem, um momento bonito, sim! Mas faz isso para depois imprimir e colocar num álbum ou no teu mural. Se a ideia for postar, for mostrar pros outros, pode apostar: você não está aproveitando. Está sendo um robozinho programado querendo abocanhar dois tapinhas na tela de outros robozinhos programados.

Agora volta, pega de novo esse celular. Mas começa a trocar “kkkkkk”, “hauhauhau” ou “rindo até 2030” por um sorriso sincero, daqueles te acalmam a alma. Aí você vai entender que a gente é feliz com o que sente e não com likes de plástico.

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Paulinho Rahs

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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