Sempre procurei histórias pra completar as cenas de amor na minha cabeça (dura) romântica. Conto de fada pra mim era pouco. Queria algo além da Disney. Já quis comprar um cavalo branco e sair em busca da princesa da minha vida. Mas, geralmente, as princesas que escolhia não me davam bola. Voltaria triste e sem saber o que fazer arrastando um cavalo até o quintal. Demorou, até eu perceber que escolher não seria uma boa ideia.
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Amor, pra ser forte, é menos escolha e mais sorte.
Então, me entreguei ao acaso. Depois da fantasia, o medo de sofrer, de se decepcionar. De reviver situações que foram bem desagradáveis. Quando amava, não me sentia amado. Quando era amado, fazia pouco caso. Uma ciranda torta e confusa, que balançava mais do que girava.
Tudo isso foi desconstruindo as páginas do romantismo e se distanciando ainda mais do tão esperado ‘felizes para sempre’.
Daí coloquei os pés no chão e os meus olhos nela. E ela parecia, realmente, uma daquelas princesas saídas das páginas de um conto de fada.
Exageradamente linda. Um encontro imprevisto. Em uma noite com a cara de noites perdidas que você nem se ajeita direito, e passa a sua roupa amassada no próprio corpo. Estava um sapo em forma de gente. Mesmo assim, ela olhou.
Hoje, estamos juntos. Faz um tempo. E nem lembro que contos de fadas existem. É que ela tem feito eu acreditar em sonhos únicos. E vivido com intensidade todo o amor que nos foi reservado, em algum canto superior além do nosso alcance.
Ela, com todos os seus perfeitos defeitos e toda a sua beleza em ser leve, nos tornou protagonistas de uma história jamais lida, quem dirá pensada. E, para o futuro, estamos fazendo do presente a nossa melhor companhia.
Somos felizes todos os dias. Até quando brigamos. Porque na irritação imaginamos a felicidade da hora de fazermos as pazes. E vivemos na paz de saber que temos um ao outro.
Clichê ou não, dizemos ‘eu te amo’ com frequência. Naturalmente. Internalizamos o amor como sentimento guia dos passos que damos juntos.
Certa noite, contei pra ela sobre as minhas antigas expectativas. Do amor tranquilo, sistemático e metódico. E, no fundo, somos um pouco de tudo isso ao contrário. Bagunçamos a vida um do outro e nos encontramos no final da noite rindo de tudo e nos amando mais.
Ela riu na minha cara e respondeu, apenas: “A nossa história é a melhor história de amor do mundo”.
Um dia, quem sabe, eu transforme esse romance em poesia. Ou conte detalhes em um livro. E espalhe pelo mundo o roteiro de algo bom que o amor fez dar certo. Uma história sem felizes para sempre.  Mas, de felizes todos os dias.
Enquanto durar.
Só para contar a todos aquilo que nenhum conto de fadas nunca me contou: Que, sem amor, os contos de fadas não existiriam. Mas, com amor – e muito amor – qualquer história sobrevive sem ser, necessariamente, um conto de fadas.
edgard
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Participe da conversa! 3 comentários

  1. Texto lindo! “Uma história sem felizes para sempre. Mas, de felizes todos os dias.
    Enquanto durar.” Amei ❤

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  2. Perfeito!! ❤❤👏👏

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  3. Enfim, esperança no fim do túnel…

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Edgard Abbehusen