Confesso que não pude me conter de tanta felicidade ao receber uma mensagem sua, Amor. Foi tão inesperado e surpreendente. Fazia quase dois anos que você não me respondia, achava que eu já estava condenado ao monólogo eterno que se tornou nossa tenra e moribunda “relação” (tentarei destacar o termo toda vez que usar, sei que lhe incomoda, mas sinônimos, assim como as paixões, encontram-se em baixa no mercado).

Apesar de sentir certo aperto no coração, acho deveras interessante quando você se dispõe a falar de seus casos amorosos comigo. Voltar a encontrar um namorado de infância foi algo que me chocou, embora não seja novidade em sua vida. Espero que esteja aproveitando esse deja vu sexual. Quanto ao Renato, me parece que é um sujeito do bem, mais velho que nós dois, responsável, mas não careta; correto, mas aventureiro e maluco, no bom sentido, que é o único existente para esta palavra. Desde que não se apaixone, por mim está tudo tranquilo.

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As referências literárias pululam em minha mente. Depois dessa carta, me senti como o personagem principal de “Travessuras da Menina Má”, embora, com toda certeza, sua maldade seja fruto da minha cabeça. Espero não ter que esperar tanto tempo para ficarmos juntos, como foi a sina de Ricardito. O coitado, porém, era menos coitado do que eu, já que voltava a ver a amada de tempos em tempos e eu, infelizmente, nem isso.

De cem anos de solidão, meu coração aguentará apenas mais alguns. A depressão me consome e, se já era difícil com você, imagine sem. Estou me aprimorando na arte do sexo e já recebo elogios encantadores das meninas, todas muito satisfeitas com os traquejos de minha língua. É um consolo, afinal. Aprimorar-me-ei para você, Amor. De todas as matizes, bocas carnudas, peles ásperas e lisas, com pelos raspados ou compridos, o salgado gosto ainda me é insuficiente e seu perfume ainda me faz falta. Acho que estou no caminho, pelo menos.

No mais, resolvi acompanhar um cabra andarilho (lembra-se de nossas conversas a respeito?). Aparentemente, pensam que ele não tem nada na cabeça; coitados, mal sabem que, fora da cabeça, é que não existe nada. Acredito que, quando chegar em Arraial, consiga escrever algo novo. Até lá, nunca se esqueça: ainda te amo.

cassar

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Gabriel Cassar