Não quero falar, mas preciso. A verdade é que há tanto a dizer, ideias e sentimentos que vem e passam, transbordam em mim. Na cabeça, fervem e brigam por um espaço, tentam se organizar. Eu escrevo, leio, releio e descarto. Tinham tudo para dar certo, mas lhes faltava algo. Falta algo. No presente. Algo. Ainda indefinido. Apenas me falta… algo.

Então, quando eu paro nesse pensamento, nessa falta, esse algo se materializa na minha mente, ganha nome, cheiro e um verde forte que me observa na cama. Ele ri, ele brinca. Vai e volta no passado para me arrancar o sorriso, o fôlego e a vida. Tudo em volta fica em escala de cinza e eu só consigo enxergar o verde. O ruído da conhecida voz me vem aos ouvidos e eu tento escapar pegando os fones, rolo as imagens pela tela do celular, leio e respondo as 500 mensagens acumuladas, logo me entedio, mas sei que fica à espreita apenas esperando um espaço onde possa voltar a me assombrar.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Eu fujo do quarto para a cozinha, reviro os armários, mas nada me dá fome, nada me traz de novo a vontade de comer. Os seriados me prendem na sala, mas fico inquieta a medida que a hora de ir para a cama se aproxima, não consigo mais fugir de mim e, não conseguindo fugir de mim, não consigo também fugir de você.

Parece um conto de terror. Eu rezo antes de dormir tentando trazer outras coisas para a cabeça, mas é só cair no sono, cansada e relutante, que você vem me invadir. Eu digo tudo o que guardei, realizamos nossos desejos retidos e parece ficar tudo bem, então eu acordo quente, suando, me dá vontade de chorar. Não consigo escapar de mim, meu inconsciente chama por você noite após noite. Eu respiro fundo e tenho medo de voltar a dormir, então abro o notebook e tento escrever, mas nada sai.

Daqui de dentro, você não sai. Você fica e reluta rebeldemente em minha cabeça. Eu peço, imploro para que vá para outro lugar, que alcance outro coração que não esteja tão perturbado quanto o meu e pare de trazer o “se” de volta. Uma olhada no celular e você se consolida em um número novo. Eu praguejo. Não é justo. Não é justo. Não. É. Justo.

De longe, dois corações parecem não querer abrir mão do que não foi, mas poderia ter sido. A mente fervorosamente explora um futuro tão incerto quantos as palavras que eu volto a ler dia após dia. São apenas promessas em vão. A brincadeira perde a graça e ainda me falta, apenas me falta…

Eu fujo pro bar, eu me embriago e respondo mensagens que há dias ignorava. Eu marco programas com quem eu não queria ver, mas vou, quase corro para o encontro de outros braços que sejam mais firmes e concretos. Algumas palavras e risos depois, entramos no carro, trocamos beijos… Perdemos o ar e o controle, nossa respiração fica ofegante, logo me vejo em cima dele no banco. Eu o encaro. Mas ainda me falta… você.

Fim opcional: Então me entrego ao desconhecido, quem sabe ele não me traga um novo perfume preferido e um novo brilho no olhar, quem sabe ele não tenha algo, ainda indefinido, quem sabe…

15058649_1252964888107800_1462595490_n

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Thamires Alves