01/02/2017

Ana e Thiago

CAPÍTULO 1

O amor é muito poderoso, pode de florescer em corações petrificados e secos. É capaz de nascer dos mais remotos encontros, nos mais variados momentos e qualquer tempo ou circunstância. Jamais, nunca, em tempo algum, duvide da magnitude desse sábio sentimento. Ana e Thiago duvidaram e olha só o que aconteceu.

Ana, há muito tempo solteira, estava cansada de conhecer homens com postura padrão. Discursos e ideias enlatadas já não surtiam efeito. Ela queria encontrar espontaneidade e essa iguaria estava cada vez mais escassa no mercado. Mensagens prontas e cantadas baratas já não faziam as borboletas do estomago baterem asas. A esperança de encontrar alguém com alma estava morrendo dia após dia, mas tudo mudaria naquela tarde quente de verão.

Ana chegou ao bar na companhia da melhor amiga para refrescar-se com uma boa cerveja gelada. A ideia era apenas jogar conversa fora com os verdadeiros amigos, mas eles lhe trouxeram uma novidade: Thiago. Amigo de um amigo, de um amigo, de um amigo, o rapaz cumprimentou todos com timidez e serviu-se de uma cerveja. Os grandes olhos azuis e a barba por fazer logo chamaram a atenção de Ana e ela passou a observá-lo com mais entusiasmo. O riso solto do rapaz foi ganhando o coração massacrado da garota e em poucos minutos ela percebeu que estava hipnotizada. Nada deixava Ana mais fascinada do que bom humor. Ele tinha uma verdade misteriosa nos olhos e isso a intrigava. Quem era aquele homem com olhos de mar? Ela estava determinada a conhecer as profundezas daquele oceano todo.

Sem nem mesmo notar, Ana estava completamente submersa e não havia bote ou colete salva-vidas à disposição. A imensidão daqueles olhos envolveu a garota do coração machucado. Ana já sentia as pernas tremerem e as borboletas agitarem as asas. Ele era diferente dos outros, carregava uma naturalidade cativante e a genuína autenticidade estava deixando Ana encantada. Ela ria das histórias que ele contava e os olhares se cruzaram de tempos em tempos fazendo Ana nadar em sua direção.

O que ninguém avisou à garota é que é preciso criar nadadeiras quando se apaixona pelo oceano.

 

CAPÍTULO 2

Quando a gente fecha as portas do coração para poder reconstruir tudo que foi partido é difícil deixar alguma fresta para que alguém olhe para nosso caos. O sofrimento ainda machuca as articulações e as feridas ardem. Qualquer sopro ou toque fazem nossos olhos revirarem de dor. Não dá para deixar outra pele se aproximar. A alma ainda busca forças para sorrir e a inércia nos carrega nos dias que seguem sem sol.

Thiago namorou por 3 anos a garota dos seus sonhos. A paixão da escola reapareceu tempos depois e o romance foi instantâneo. Ele idealizou aquela mulher com todos as expectativas e esperanças de um garoto em idade escolar. Apesar de homem feito e barba na cara, com ela, ele sonhou. Fez tudo que podia para lhe tirar sorrisos e lhe entregou o coração de bandeja, sem defesas ou proteção. A garota, hoje mulher, fez do coração de Thiago migalhas e antes de partir lhe entregou um par de chifres. Foi demais pra ele.

Tentando retomar a vida social, Thiago foi pela primeira vez naquele bar. Fazia tempo que ele via o velho amigo e seria bom conhecer os amigos dele também. Gente nova sempre ajuda quando estamos vivendo um escuro solitário. O lugar estava cheio e as pessoas pareciam animadas. Uma cerveja e ele já estava conversando com todos com desenvoltura, ninguém precisava saber o martírio que vivera recentemente. Apesar de estar trancado para flertes, uma garota em especial lhe chamou atenção. Ela sorria com tanta naturalidade que Thiago até se assustou. Sorriso era coisa que ele forçava para dar e aquela autenticidade lhe pareceu mágica. Ela falava e gesticulava sem medo, sem incerteza, sem programação. Ela era despojada e Thiago se pegou sorrindo ao observá-la. Não aquele sorriso programado que ele ensaiava, mas um sorriso genuíno. A naturalidade dela desmontou suas defesas.

Os olhares passaram a se cruzar e notando o interesse de Ana, Thiago ficou nervoso. Apesar de fascinante, se ele a deixasse entrar, ela o machucaria novamente. As feridas nem haviam cicatrizado ainda, era cedo demais para abrir a porta assim. Ele nem a conhecia de verdade, não sabia se era a garota certa e não podia arriscar assim, tão facilmente. Mas Ana atraía o olhar de Thiago como imã e ele já não era capaz de controlar. Ela tinha alguma coisa especial. Ele não sabia dizer se era o sorriso livre ou o olhar profundo, mas alguma coisa nela magnetizava ele.

O que ele não sabia é que para conquistar aquela mulher ele teria que lutar uma grande guerra e a primeira e dolorosa batalha seria contra ele e a grande muralha que construiu em volta de si próprio.

 

CAPÍTULO 3

A noite seguia animada. Ana e Thiago permaneceram trocando olhares furtivos e alguns sorrisos tímidos surgiram entre um olhar e outro. Algumas pessoas começaram a despedir-se e o grupo já estava reduzido. Era tarde, mas Ana nem pensava em pagar a conta, não sem saber mais do rapaz do olhar misterioso. Ela precisava chegar mais perto. Thiago, vendo a turma diminuir, temeu ficar sozinho com a garota que atraia seu olhar com tanta força, mas perdê-la de vista também não lhe parecia uma boa opção. Ele sentia-se dividido entre o medo e o entusiasmo.

Mais algumas despedidas e eles estavam ali, sozinhos. Ela, sentindo a adrenalina pulsar. Ele, completamente perdido. Ela, querendo permanecer. Ele, pensando em como fugir. Ela iniciou a conversa com algumas perguntas e logo ele já respirava aliviado. Ela contou que era arquiteta e ele revelou ser jornalista. Ela confessou que sonhava em ser astronauta e ele que queria ser Rock Star. Ela mostrou foto do cachorro, ele da sobrinha. Ela contou que sua série preferida era Grey’s Anatomy, a dele era Prison Break. Ela pediu mais uma cerveja, ele também.

Sorrisos, olhares, muita afinidade e eles estavam vivendo no encantamento. Ela já imaginava o nome dos filhos, ele cogitava a possibilidade de deixar ela entrar na sua vida. Ela estava inebriada pelo perfume dele. Ele estava fascinado com a espontaneidade dela. Nenhum deles conseguia controlar a imensidão daquele momento que logo chegaria ao fim.

O bar já estava quase inabitado quando o garçom trouxe a conta. Os pagamentos foram feitos a contragosto e levantaram-se da mesa para caminharem em direção à porta. No pequeno trajeto ele tocou as costas dela para direcioná-la. Quando ela sentiu o calor daquela mão   tocando-a pela primeira vez, ela sabia, entre todo o turbilhão, que ele era o cara certo.

Era hora de dizer “Adeus” e Thiago só pensava em levá-la para sua casa para poder ter aquela garota linda em seus braços. Ana esperava ansiosa que ele pedisse seu telefone. Os pensamentos fervilhavam, mas nenhum deles agia. Ficaram alguns minutos parados naquela calçada encarando um o olhar febril do outro.

O silêncio era preenchido pelo diálogo claro que aqueles olhares trocavam. “Eu quero você”, “Eu também quero você”. Thiago tomou o rosto de Ana com as duas mãos e foi se aproximando sem tirar os olhos dela. Ana sentiu as borboletas tumultuarem seu estômago e esperou ansiosamente que a boca dele tocasse a sua.

Quando os lábios se encontraram os olhos já estavam fechados. Uma nova conexão era estabelecida ali, naquele milésimo de segundo. As mãos dele acariciaram o rosto dela, as mãos dela pousaram nos braços dele e o beijo aconteceu numa sublime entrega.

Ela, entrou no Uber e voltou para casa encarando o escuro da noite sem tirar um sorriso bobo do rosto. Ele, sentou no volante de seu carro e entrou em pânico enquanto olhava para aquele número recém gravado em seu celular.

 

CAPÍTULO 4

Ana chegou em casa radiante e repassou a noite na cabeça. Cada olhar que trocou com ele, os sorrisos tímidos, as borboletas agitando seu interior e tudo que sentiu quando ele tocou suas costas. Relembrou o silêncio e tudo que disseram só com o olhar. Evocou o beijo mágico e quase pode sentir as mãos dele segurando seu rosto de novo. Ana adormeceu leve naquela noite e assim pode descansar um coração que há muito tempo não abrandava.

Thiago chegou em casa um pouco atordoado. O fim na noite não foi bem o que ele esperava e aquela reviravolta não programada o desestabilizou. Ele ainda não havia conseguido se recuperar do golpe no fim do último relacionamento e não se sentia pronto para encarar outro romance assim, tão rápido. Ele devia ter ido embora com os outros amigos, mas o olhar magnético de Ana não permitiu que ele dissesse adeus. Thiago dormiu aflito e acordou angustiado. Não sabia o que fazer com o novo contato, então decidiu que não faria nada.

Dois dias se passaram desde que Ana e Thiago trocaram aquele beijo na porta do bar. Ana andava muito ansiosa por um sinal de Thiago, mas ele ainda não havia se manifestado. Ele tinha anotado o celular dela e agora ela se arrependia por não ter feito uma troca de mensagens imediata. Estava de mãos atadas e essa espera estava tirando o sono da garota. Por que ele ainda não mandou nada? O que havia de errado? Qual era o mistério daqueles olhos? Quanto mais Ana pensava, mais as borboletas bagunçavam suas entranhas.

Thiago, apesar de decidido, ainda pensava em Ana e no beijo. Lembrava dos lábios dela tocando os seus e de tudo que sentiu quando o encontro aconteceu. Ela tinha alguma coisa especial que o atraía e ele não conseguia definir o que era. Podia ser o sorriso espontâneo, o olhar magnético, a conversa inteligente, o corpo elegante… Ele não sabia dizer se era uma coisa ou todas elas. Ela, definitivamente, tinha um charme irresistível. Uma cerveja não faria mal, não é mesmo? Então ele digitou:

“Oi, topa uma cerveja mais tarde?

Queria te ver de novo”

 

CAPÍTULO 5

Quando o celular vibrou Ana nem imaginou que pudesse ser Thiago, mas quando leu a mensagem ficou petrificada. Ela ainda nutria esperanças, mas não estava mais alimentando a expectativa. Um convite assim, no meio da semana era surpreendente demais. Ela então pensou em fazer um charme e demorar para responder, mas o medo dele se arrepender e cancelar o convite fez Ana responder imediatamente:

“Topo”

Thiago, que não esperava uma rápida resposta, se espantou com o desembaraço da garota. Se perguntou se essa era a coisa certa a fazer e se ele não estava se precipitando. Convidar uma mulher para sair depois de um longo beijo era sinal de algum envolvimento e essa palavra o apavorava. Cancelar agora seria rude e ele queria encontrá-la. O medo era evidente, mas a vontade de olhar para Ana e tocar seus lábios de novo também se fazia presente. O que não tem remédio, remediado está e Thiago correu para o banho.

Thiago chegou mais cedo no bar para tomar uma dose antes que Ana o encontrasse. O whisky desceu quadrado, mas aliviou toda a tensão que ele carregara de casa até aquela mesa. Ele, visivelmente nervoso, não queria causar uma má impressão com Ana e respirou fundo três vezes quando a viu apontar na porta do bar. Ana, que havia colocado um vestido leve e uma sandália baixa, entrou passando os olhos no recinto à procura daquele oceano azul e o encontrou arregalado.

Quando Ana chegou à mesa Thiago se levantou e quatro braços envolveram dois corpos sedentos de amor. O abraço transformou-se em beijo numa alquimia mágica e as almas de Ana e Thiago se conectaram de novo. Quando os lábios se soltaram Thiago trazia um sorriso no olhar e ali que ele teve certeza de que o convite valera a pena.

 

CAPÍTULO 6

Eles permaneceram na mesa e tomaram poucas cervejas entre um beijo e outro. Era difícil controlar a enorme atração que unia os dois. Eles conversavam e se tocavam como se já tivessem intimidade. Ana, eufórica, olhava para Thiago e podia afirmar que estava apaixonada. Thiago, menos romântico, olhava para Ana e questionava os motivos daquele encontro. Mas nada era mais forte do que o desejo de tomar o outro nos braços.

Depois de um beijo quente eles se olharam e, mais uma vez, conversaram sem dizer uma única palavra, era hora de sair dali. A dúvida pairou no “Na sua casa ou na minha?” e o veredito veio quando Ana argumentou que morava mais perto. A urgência venceu e eles se atracaram enquanto o motorista do Uber seguia o caminho indicado. Ao abrir a porta Ana ofereceu a Thiago uma taça de vinho. Ele aceitou e as taças esvaziaram enquanto eles discutiam qual era o melhor álbum dos Beatles, a melhor pizza de São Paulo e o melhor filme de Tarantino. As opiniões divergiram, o que tornou tudo mais interessante.

Quando Ana se levantou para encher as taças, Thiago a puxou para seu colo e um beijo atrevido aconteceu. As mãos se tatearam e as roupas foram arremessadas para longe. Um tapete, duas carnes e almas que buscavam refúgio. Pele, suor e instinto. Ana baixou todas as guardas e se entregou ao imenso oceano de Thiago. Ele, desejava apenas proporcionar deleite ao bonito céu que ela o fazia ver. Era carnal, mas também era sublime. Era viril, mas também era encanto. Era matéria assim como era sentido.

Ana descansou a cabeça no peito do rapaz e, sorrindo, adormeceu. Thiago, feliz por ter esbarrado em alguém como Ana, sentiu-se leve, mas por poucos minutos. O ar faltou aos seus pulmões quando olhou para Ana e viu Melissa, a ex-namorada. A dor da traição ainda machucava e uma imensa frustração envolveu o coração do rapaz. Ele não estava pronto para alguém como Ana e essa confusão de sentimentos colocava tudo em “cheque”. Ele não era forte o suficiente e precisava sair de lá antes dela acordar. Então, devagar, tirou Ana de seu peito e vestiu-se, mas antes de partir olhou mais uma vez para a garota e disse baixinho:

– Desculpe, mas eu não consigo.

 

CAPÍTULO 7

Já era dia quando Ana despertou e, involuntariamente, procurou Thiago com os olhos. Era difícil acreditar que ele partira assim, na surdina. Todos costumam sumiu depois da primeira noite, mas ainda se dignavam a ficar com ela até o dia raiar. Sair escondido como um fugitivo seria muito decepcionante. Ana acreditava que Thiago era diferente dos demais. Ela viu nos olhos dele que o envolvido era recíproco. Ele tinha feito o convite para aquela cerveja. Toda a atitude partiu dele. Uma boa explicação para esse desaparecimento aliviaria a angústia que a garota sentia naquele momento. Na esperança de que ele fosse diferente de todos os outros, lhe enviou uma mensagem: “Você sumiu, o que aconteceu?”.

Quando Thiago leu a mensagem sentiu-se mal. Como explicar para Ana o que tinha acontecido? Como dizer que ele havia pensado na ex-namorada e por isso tinha saído correndo? Ela não merecia. Inventar uma desculpa esfarrapada também não lhe parecia uma boa opção. Ele não queria machucar a moça e não via saída para a enrascada. Com certeza convidá-la para beber não foi uma ideia acertada. Em vez de responder, ele abriu a foto de Ana e ficou admirando aqueles grandes olhos e imaginando tudo que poderia viver com ela se fosse menos covarde.

Ele leu e não respondeu. Um imenso banho de água fria caiu sobre a cabeça de Ana e ela se lamentou muito por ter sido tão inocente a ponto de baixar a guarda para aqueles olhos de mar. Ela puniu-se por ter se deixado envolver tão facilmente e decretou que não permitiria que mais ninguém brincasse com seu coração. Promessa velha, que ela já tinha feito outras vezes, mas que agora seria cumprida. Um banho longo e uma garrafa de vinho aliviariam a dor na nova ferida. Quem sabe uma ligada para Guilherme, o eterno P.A., não ajudaria também?

Thiago passou o dia bebendo no bar com amigos da época de faculdade. Cerveja, futebol e ele viu o tempo passar no relógio. Distrair a cabeça era o que ele mais precisava agora. Ao chegar em casa, a noite caiu sobre seus ombros. Seu problema havia se multiplicado. Agora, além de pensar em Melissa e na dor da traição, ele também pensava em Ana e no grande erro cometido na última madrugada. Será que ainda era possível corrigi-lo?

 

CAPÍTULO 8

Quando o interfone tocou Ana se assustou, se perdera em pensamentos e esquecera que havia convidado Alex para um vinho com Netflix. O moreno chegou com queijos e uma garrafa de Merlot, sabia do que Ana gostava. Eles eram amigos de longa data e as afinidades eram compatíveis. O que não combinava muito eram as expectativas. Alex nutria por Ana uma paixão antiga. Ana sabia e já tinha esclarecido que o que eles tinham era apenas uma amizade… colorida. Vez ou outra eles dormiam juntos e tudo bem. As cartas estavam na mesa, apesar de Alex sempre encher o coração de esperanças e cair do cavalo em seguida.

Sozinho em casa, Thiago ligou o vídeo game e colocou logo “The Last of Us”, matar alguns demônios ajudaria, mesmo que simbolicamente, a atenuar a imensa confusão onde ele estava metido. Ana, Melissa, traição, fuga, medo, saudade… Era coisa demais para processar e por mais que ele não tivesse superado o golpe dos chifres, a dona dos seus pensamentos era Ana e seu sorriso solto. Ele sentia-se mal por ter deixado a garota no meio da noite, mas naquele momento não soube o que fazer. Melissa atordoava seu raciocínio e ele agiu por impulso. Pior ainda foi não ter respondido a moça, mas ele não sabia o que dizer e assim não disse nada. Melhor voltar ao vídeo game e atirar em alguns monstros, eles eram mais fáceis de matar.

Queijos, vinho e um filme na TV. Alex fez a primeira invertida e pegou na mão de Ana. O toque aqueceu o coração da garota e ela permitiu o carinho, receber afeto era tudo que ela mais precisava naquele momento. O abandono de Thiago tinha deixado marcas doloridas e ela queria se sentir amada de novo. Alex comemorou a permissão e evoluiu o aperto de mão para um abraço. Ana sentiu-se reconfortada por estar sendo envolvida por braços sinceros. Ela sabia dos sentimentos do amigo e a certeza lhe pareceu confortável. O beijo não demorou e logo Ana estava com outro homem naquele mesmo sofá.

Algumas peças de roupa espalhadas e Ana se pegou pensando no erro de Thiago e na possibilidade de estar fazendo o mesmo com Alex. Dormir com o amigo não seria usá-lo assim como Thiago fez? Ela concluiu que não, afinal, ela nunca enganara Alex e Thiago havia iludido seu coração. Eram situações diferentes. Ainda assim Ana teve dúvidas e preferiu interromper amasso. Disse que estava com uma dor de cabeça chata e chamou o rapaz para dormir. Uma conchinha não faria mal, né?

 

CAPÍTULO 9

Quando Ana acordou não encontrou Alex no quarto. Seria possível que fora abandonada duas vezes seguidas? Levantou e caminhou até a cozinha. Lá encontrou o rapaz preparando o café. Ana gostou da atitude, mas no fundo imaginou que seria ainda mais legal se ali, sem camisa na sua cozinha, estivesse Thiago e os olhos de mar. Um suspiro e ela sentou para comer, estava faminta.

Thiago despertou e decidiu correr no parque antes de ir trabalhar, a endorfina amenizaria os efeitos da noite mal dormida diante do vídeo game. Matar aqueles monstros todos tinha sido divertido, mas ele ainda estava confuso. Melissa tinha sido seu grande amor e a traição colocou uma pedra em suas aspirações românticas. Ele estava ferido e descrente do amor. Ana havia causado um efeito curioso nele, o tinha feito imaginar viagens e encontros. Ele se pegou pensando na garota em momentos diversos e o medo o paralisara. Será que Ana faria com ele o mesmo que Melissa?

No fim da tarde Ana saiu do escritório e correu para casa, queria tomar um banho e assistir um filme sozinha, apesar do convite de Alex para um cinema. Ela precisava pensar, refletir, relaxar. Nada de homens no momento, era hora de cuidar de si mesma.

Thiago saiu da redação e parou para tomar uma ou duas cervejas com os colegas. Pouco antes de ir embora se assustou quando viu uma mulher e pensou que fosse Ana. Seu coração disparou. Os olhos cravaram na garota e a decepção foi monumental quando ele notou ser outra pessoa. Como Ana podia dominar seus sentidos assim? Ele precisava tomar uma atitude. Voltou pra casa e sentado no sofá observou, de novo, a foto de perfil de Ana. Ele não sabia o que mandar. Seria melhor se desculpar logo de cara? Um convite como da última vez? Na dúvida, mandou só um “Oi”.

Ana havia cochilado durante o filme e despertou com o toque do celular. Devia ser mais uma mensagem de Alex. Um “Boa noite” talvez. Ele era mesmo insistente. Quando leu o “Oi” de Thiago ficou petrificada. Era muita cara de pau mandar um Oi assim, despretensioso, depois de abandoná-la no meio da noite e ignorar sua mensagem. Uma alegria relâmpago passou pelo coração da garota, mas a decepção era ainda maior. Essa mensagem comprovava que ele era, exatamente, como os outros e decidiu que era sua vez de não responder.

 

CAPÍTULO 10

Duas semanas se passaram desde que Ana ignorou o “Oi” de Thiago. Ela poderia ter virado a página, mas alguma coisa a fazia olhar para aquelas duas letrinhas e lamentar. Ela já havia ameaçado responder depois de umas doses de tequila, mas Julia, sua melhor amiga, não deixou que ela tomasse essa decisão alcoolizada. “Se você quiser responder, faça isso amanhã, sóbria” tinha dito Julia. Na manhã seguinte ela desistiu da ideia e agradeceu a amiga. Responder era um erro. Ela tinha vontade de falar com ele, de o encontrar de novo. Internamente confessava para si mesma que queria muito outro beijo daquele, mas depois de tudo que aconteceu ela não podia baixar a guarda. Orgulhosa que é, Ana seguiu rejeitando, mas sempre visitando a mensagem de olhos de mar.

Thiago compreendia o porquê de Ana não responder seu singelo “Oi”, mas sentia-se muito mal por ter dado a ela todos esses motivos. Ele tinha pisado muito feio na bola e não sabia como reverter a situação. Eles se conheciam muito pouco e Thiago não tinha ideia de onde ou quando poderia rever o sorriso solto da garota linda. Mesmo depois de tantos dias ele ainda pensava nela e na noite que passaram juntos. Enquanto olha fixamente para a foto de perfil dela pela milésima vez teve a grande ideia. Guto era um amigo em comum, foi ele que o levou naquele bar, ele poderia ajudar. Falou com o amigo e quando desligou o telefone sorria feito criança. Guto tinha organizado um churrasco para o dia seguinte e Ana tinha confirmado presença. Era a oportunidade perfeita para um encontro “casual”.

Uma calça jeans, uma camisa polo e um tênis. O melhor perfume, a barba aparada e o cabelo bagunçado para dar um ar de “não me arrumei”. Thiago chegou ao churrasco com um frio na espinha, rever Ana era tudo que ele queria e agora estava apavorado com essa ideia. E se ela o ignorasse, brigasse, fosse embora? Todas as possibilidades passaram pela cabeça dele, menos uma. Ana chegou linda, num vestido azul e com um rabo de cavalo que deixava seu rosto ainda mais iluminado. Mas o coração de Thiago partiu em mil pedaços quando ele viu que ela não estava sozinha. Chegou com outro cara, Alex. Tudo estava perdido.

Quando Ana viu Thiago com aquela lata na mão ficou aterrorizada. Jamais imaginou que o veria de novo, mas ele também era amigo de Guto, como ela não tinha pensado nisso? Foi cumprimentando todos na ordem para que Thiago fosse o último, ela precisava se acalmar. Conforme iam se aproximando o coração de Ana ia acelerando. Depois de toda canalhice, porque ele ainda deixava ela tão abalada? Os dois estavam de novo frente a frente. Olhares cravados um no outro, mãos trêmulas e um “Oi” que, dessa vez” não foi ignorado. Eles se abraçaram e quando os corpos se tocaram as guardas foram desarmadas em silêncio. Estava claro, eles ainda estavam ligados e Alex percebeu.

 

CAPÍTULO 11

Thiago apertou a mão de Alex com uma imensa dor no coração. “Esse é o cara de sorte que não pisou na bola com a garota do sorriso lindo”. Alex apertou a mão de Thiago com certa inveja. “Esse é o cara que causa em Ana o efeito que eu não consigo”. Os dois se encaram enquanto Ana apenas segurava a respiração apavorada. Logo o trio estava desfeito e cada um foi para um lado. Ana pegou uma caipirinha, Thiago outra cerveja e Alex uma dose de vodka. O clima estava pesado.

Ana não conseguia disfarçar o desconforto. Por mais que estivesse magoada com o que Thiago havia feito, sentia as borboletas agitarem suas entranhas. Ele mexia muito com ela, isso era inegável. Ela não podia baixar a guarda, mas não conseguia evitar a espiada que dava para ver se ele a olhava. E olhava, mas sem aquele brilho do dia em que se conheceram.

Desde que Ana tinha entrado ao lado do moreno, Thiago estava apagado. A decepção era notória nos olhos de mar. Ele estava disposto a consertar o erro cometido, mas era tarde demais. Ele olhava para ela com tristeza, mas não podia culpá-la. Ele era o vilão daquela história, tinha estragado tudo e ela seguiu em frente.

Ana aceitou a carona de Alex porque pretendia beber no churrasco e não queria dirigir, mas agora se via dividida. Thiago claramente era quem lhe atraia, mas magoar Alex não era uma opção viável. Ela vinha se aproximando dele nessas últimas duas semanas e não queria ferir o amigo. Ela sabia dos sentimentos dele. Perdida nessa confusão ela resolveu não fazer nada a respeito e preparou mais uma caipirinha.

Thiago estava decidido a ir embora, ficar lá não fazia mais sentido. Ana era seu único objetivo ali e a missão tinha falhado. Permanecer e olhar para ela sem poder agir o machucaria ainda mais. Quando foi se despedir de Guto para sair à francesa foi questionado. Thiago explicou seus motivos e o que ouviu foi música para seus ouvidos.

– Cara, você está louco? O Alex e a Ana são amigos. Foi só uma carona!

Thiago sorria de orelha a orelha. Ainda havia esperança. Ele precisava dar um jeito de falar com ela.

 

CAPÍTULO 12

Observando que o copo de Ana já estava quase vazio Thiago correu para o bar. Ele era o bar man das festas na época da faculdade e isso podia lhe ajudar agora. Preparou duas ou três para outras pessoas e nada de Ana ir até lá. Ele já estava ficando nervoso. Sua vontade era tomá-la nos braços, enchê-la de beijos e dizer que ele foi um idiota, mas é lógico que ele não faria isso. Era preciso agir com cautela. O fato dela e Alex não serem um casal não significava que ela lhe daria outra chance, mas o coração do garoto estava transbordando de esperanças.

A caipirinha tinha acabado e Ana queria mais uma, mas ela viu que Thiago estava no bar e protelou. Eles se olhavam, mas ela estava tensa. Chegou a pedir para Julia pegar pra ela, mas a amiga riu e disse “não”. Ana então respirou fundo três vezes, encarou Thiago e foi. Um passo de cada vez e os olhos de mar iam crescendo e brilhando conforme os corpos se aproximavam.

Ela chegou no balcão e o silêncio reinou. Os olhos se enfrentavam. O de Ana mostrando mágoa e força, o de Thiago se desculpando e oferecendo trégua. Ele quebrou o gelo oferecendo sua especialidade: A caipirinha de manga. Ela aceitou com um sorrisinho bobo e observou o garoto durante o preparo. Ele manipulava tudo com muita facilidade e parecia fazer mágica. O charme exalava dos poros de Thiago que olhava pra ela sempre que podia e sorria. Ela manteve a pose firme por fora, mas por dentro se derretia toda. Ele era encantador.

O churrasco seguiu e Ana voltou ao balcão algumas vezes para pedir outros copos da melhor caipirinha que ela já tinha tomado na vida. Thiago notou que ela já estava mais solta, mas não sabia afirmar se era a guarda sendo baixada ou o álcool fazendo efeito. O importante era que eles já conversavam amenidades.

Ana percebeu que estava ficando um pouco bêbada, mas pegar novas doses era o pretexto perfeito para chegar perto dele de novo. Alex até tentou regular a garota, mas ela logo disse que tinha tudo sob controle e ele foi embora bravo. Ana até se sentiu culpada, mas não ia aceitar que alguém dissesse o quanto ela podia beber. Mais uma, duas, três caipirinhas e ela estava bêbada. Thiago, que estava animado com a aproximação e as risadas que deram juntos, agora se preocupava. Ela estava fora de controle e sem carona para casa.

Fim de festa, poucos sobreviventes e era hora de dizer Adeus. Ana não tirava os olhos de Thiago e não sabia como agir. O álcool estava dominando seus movimentos. Ela não queria partir sem antes provar do mel daquela boca de novo. Quando Thiago se aproximou para despedir-se ela lhe deu um beijo, mas não foi qualquer beijo, foi cinematográfico. A ousadia da garota arrebatou Thiago e ele a tomou nos braços com toda saudade que sentia. Os lábios se soltaram e emendaram numa gargalhada uníssona. Outro beijo e mais alguns sorrisos. Thiago estava radiante e perguntou, com muito medo da resposta, se podia leva-la para casa, mas a resposta da garota, muito alcoolizada, surpreendeu.

– Dessa vez para a SUA casa, assim você não pode fugir no meio da noite!

 

CAPÍTULO 13

Ana entrou no carro e apagou. O que tinha tudo para ser uma noite incrível estava caminhando para um desastre. Ou não. Thiago estava preocupado e achou melhor mesmo levá-la para sua casa, deixá-la sozinha seria ruim. A oportunidade que ele queria para ter Ana em seus braços de novo estava prestes a acontecer. Quando chegou na garagem acordou Ana com todo carinho e a conduziu até o elevador. Ana tropeçou no degrau e se espatifou no chão. Thiago a socorreu aflito, mas a garota gargalhava, ela ria de nervoso. Não bastava estar completamente bêbada, ela ainda precisava se esborrachar no chão?

O beijão começou no elevador e só terminou quando os dois deitaram no sofá embolados como se fossem um só. Thiago beijava Ana como se ela fosse a única mulher do mundo, e para ele, ali, ela era. Ele queria tanto essa segunda chance que valorizava cada toque, cada beijo, cada suspirada que ela dava. Ana estava entregue de novo. Resistir a Thiago já era difícil sóbria, bêbada foi impossível. Ela sentia aqueles braços firmes envolvendo seu corpo e os lábios que passeavam por seu pescoço. Ela buscou os olhos de mar, mas sua visão desfocada pelo álcool não a deixou ver nada. Ana tirou a blusa e a calça que vestia, Thiago tirou a polo. Mãos se tateavam afoitas e ousadas.

Thiago notou que a fala mansa de Ana estava ainda mais mansa e mole. Os gestos da garota estavam perdendo tonos e precisão. Os olhos se perdiam do foco. Era hora de parar. Thiago recuou. Ela não estava mais ali. Ana ergueu os braços o chamando de volta, mas Thiago refutou.

– Não Ana. Melhor não.

Ana, incrédula, tentou seduzi-lo, mas ela não tinha muito controle sobre o próprio corpo e desistiu da performance patética. Ele se levantou. Ela também tentou, mas aquela sala estranha girava e ela deitou de novo. Ana só queria uma noite de amor, mas ele desistira, de novo. Thiago saiu para pegar um copo de água para ela, mas quando voltou viu que já era tarde demais. Ana dormia profundamente. Pegou então sua polo do chão e vestiu a garota com cuidado. A carregou no colo com zelo e a levou até a cama. Ela deitou confortavelmente e ele se espremeu no cantinho que sobrou.

 

CAPÍTULO 14

Ana abriu os olhos e sua cabeça pesava 22 toneladas. Olhou ao redor e não reconheceu o ambiente. Ela estava sozinha numa cama grande, vestindo uma polo masculina e muito confusa. De repente flashs da noite pipocaram na cabeça da garota. Caipirinhas, Thiago, Alex, caipirinha, risadas, ansiedade e mais caipirinhas. Olhos de mar, música alta, caipirinha e borboletas agitadas. Beijo, carro, sono, garagem, chão. Elevador, beijo, sofá, beijo, desejo, beijo. Recusa, distância, ausência, sono. Apesar de fragmentadas, as lembranças contavam a história da noite passada. Thiago havia lhe rejeitado de novo. Como era possível? Ela lembrava de beijos e roupas arrancadas, mas também lembrava do afastamento e da boca dele dizendo “Não”. O que ela tinha feito de errado? Qual era o problema que causava tamanha repulsa em Thiago? Os mistérios por trás daqueles olhos eram muito intrigantes. Ela desejava tanto desvendá-los.

Ele entrou no quarto em silencio achando que Ana ainda dormia e a encontrou meio perdida franzindo o cenho. Ele trazia um forte café preto e um comprimido de analgésico. Ana ficou tensa ao vê-lo. Ele vestia uma calça e um sorriso. Ela tentou arrumar os cabelos e fez dos dedos pente. Um sorriso tímido brotou em seu rosto e ela baixou os olhos. Era melhor se estivesse em casa e ele tivesse ido embora. Como encarar os olhos de mar agora? Ela só pensava em sair daquela situação o quanto antes. Onde estavam suas roupas? O que tinha acontecido? Como ela tinha ido parar naquela cama? Muitas perguntas poluíam a mente da garota que amargava uma espantosa ressaca.

Thiago se aproximou fazendo o coração de Ana disparar, mas se acalmou quando ela ganhou um carinhoso beijo na testa. Ele perguntou como ela estava e Ana mentiu dizendo que estava bem. Alguns goles de café e um carinho e ela estava ainda mais confusa. Ana queria perguntar, mas ficou intimidada por tamanho cuidado. Ele estava sendo um verdadeiro príncipe, mas ela agia com extrema cautela. Outra recusa seria um golpe forte demais pra ela. Thiago avançou para um beijo e Ana paralisou. Ele percebeu a hesitação da moça e arregalou os olhos. Ana então se encheu de coragem e perguntou porque ele havia refutado na noite anterior e ele lhe explicou que não podia se aproveitar do estado alcoólico em que ela se encontrava.

– Eu não podia fazer isso com você. Eu não sou assim, quero que seja bom para nós dois e não só para mim.

Ana ficou impressionada com a hombridade do rapaz e lhe deu um beijo caloroso. Agora sim seria bom para os dois, como ele queria. Eles se amaram como se suas almas estivessem, enfim, ligadas de verdade. A vitalidade dele se misturou com a delicadeza dela. A coragem dela se misturou com o carinho dele. E eles foram se misturando numa alquimia mágica de duas carnes que pulsavam em sincronia.

Ana adormecia no peito de Thiago quando o “fantasma” de Melissa apareceu para atormentar a serenidade de Thiago e o encantamento que ele vivia ali. O rosto da ex se materializou nas lembranças de Thiago e ele desmanchou em frustração. Como venceria essa batalha se não tinhas as armas corretas?

 

CAPÍTULO 15

Thiago não queria cometer o mesmo erro com Ana, ela não merecia isso e ele sabia que não teria uma terceira chance. Era preciso valorizar a vitória e ele fingiu que nada acontecia quando Ana se levantou linda e foi tomar um banho. Como ele podia pensar em outra mulher tendo esse sorriso todo pra ele? Thiago respirou fundo, xingou Melissa mentalmente e foi fazer companhia a Ana debaixo do chuveiro. Os corpos se atraíram imediatamente e eles se amaram de novo. A cabeça de Thiago se confundia entre amor, paixão, saudade e tesão. Ele não sabia dizer o que sentia e o caos se instalou dentro do rapaz.

Ana notou que Thiago ficava aéreo de vez em quando. O olhar dele se perdia e seu semblante mudava. Era como se ele se transportasse para outra dimensão. Ela queria perguntar o que se passava dentro dele, queria poder confortar a dor que parecia sentir, mas lhe faltou coragem. Eles ainda não tinham intimidade para que as perguntas difíceis fossem feitas. Um filme, uma pizza, vinho e o domingo passou voando. Perto de Thiago o tempo passava rápido e Ana não queria ter que ir embora. Não queria ter que voltar para casa, para a rotina, para a incerteza. Ana também não queria encarar Alex depois do desastroso churrasco. Ele já havia ligado quatro vezes e ela não atendera. Ela sabe que ele vai enchê-la de perguntas.

Era hora de voltar para a realidade e Ana disse que chamaria um Uber, mas Thiago fez questão de leva-la para casa, atitude que encheu o coração de Ana de afeto. Ele era diferente. Algo o atormentava, isso estava claro, mas ele não era como os outros. A fuga da outra vez devia ter uma explicação plausível, mas Ana não ousou perguntar. Era melhor deixar o passado no passado. O presente estava tão bom, para que complicar? Na porta do prédio Ana deu em Thiago um beijo doce e um “Tchau” habitual, mas ouviu um “Até Breve” de volta e sorriu.

Thiago voltou para casa consternado. Deitou a cabeça no travesseiro, mas nem os carneirinhos o fizeram dormir, um turbilhão se pensamentos pipocaram e ele se permitiu refletir. Era preciso. O dia com Ana tinha sido o melhor dos últimos tempos, mas ele não conseguia tirar Melissa da cabeça. Por que? Ele se perguntava se o que sentia ainda era amor ou se só estava confundindo as coisas, mas o caos o impedia de chegar a conclusões. Ele precisava de respostas claras, mas não sabia onde buscar. O tempo, só o tempo poderia amenizar as feridas e abrir espaço para Ana se abrigar. Ele só tinha que esperar, mas será que ela estaria disposta? Ainda bem que já haviam combinado um cinema para aquela semana, Ana lhe fazia bem e era disso que ele precisava. Ele adormeceu de exaustão e acordou inquieto. Sonhou com Melissa. Será que não teria paz nem dormindo? Mal sabia Thiago que o pesadelo estava só começando.

 

(…) CONTINUA (…)

 

MONIKAJORDAO

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Monika Jordão

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