Estou desistindo de você, não pelo excesso de erros ou falhas, mas pelo excesso de acertos que tivemos. Do tanto que você é e não foi, e que sabemos o quão perfeito poderia sido, pela minha quase interminável busca em te fazer feliz sendo que fazer tudo por você foi justamente o que te fez recuar. De tudo o que éramos e do mais que poderíamos ter sido, o seu medo foi o que ganhou o direito de ficar e eu cansei de te procurar nos espaços vazios ou nos lugares em que você deveria estar.

Fomos tanto um para o outro, em tão pouco tempo, que me machuca saber que me esqueceu tão rápido, porque de todas as palavras que poderiam ter sido ditas, o teu silêncio é o que mais grita em meus ouvidos. Porque de todas as palavras não ditas, o seu distanciamento é o que ecoa aqui dentro, que se transforma num abismo antagônico ao tipo de comunicação que tínhamos.

Às vezes, só às vezes, eu queria viver de ausência, tanto tua quanto minha, sentir a inércia em cada parte do meu corpo, em cada molécula de ar que respiro, cada neurônio que me faz viva e cada palpitar do meu coração. Queria poder viver no vácuo dos sentimentos, das lembranças dos seus beijos, de cada carícia que trocamos com tanta afeição. Queria estar suspensa ao invés de estar imersa em você, onde tudo o que sinto é o seu cheiro me sufocando e a sua presença que preenche todo o espaço a minha volta.

Eu me canso de brincar de roleta russa com o destino, da maneira como ele se desfaz de mim como se eu tivesse direito apenas à degustações de felicidade, mas não tenho o direito de consumir a felicidade plena com você ao meu lado.

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Eu mais uma vez errei em achar que eu fosse sábia o suficiente, errei ao pensar que você seria diferente, que você não seria mais um egoísta ao querer apenas brincar de Deus com o meu coração e sendo assim eu resolvi ter controle da minha vida e não fazer parte do seu caos de emoções. Eu não quero mais bagunçar os meus sentimentos esperando você se decidir.

Não vou ser mais refém do seu silêncio, esperando que amanhã você resolva agir, pois o amanhã se tornou mais do mesmo de todos os dias e eu me torno um borrão do que eu poderia ser, mas no fundo eu sempre soube, eu nunca coube no teu coração e é preciso ser muito mais do que um covarde para conseguir guardar tudo o que sinto dentro dos parâmetros rasos que impôs pra sua vida.

Você me perdeu porque me deixou escapar por entre seus dedos e eu não vou ficar me martirizando mais ao pensar se eu deixei de ser algo pra você, se eu poderia ter sido melhor quando sei que fiz o melhor que pude.

Viver na dependência da sua indecisão é como viver no limbo ou no limiar da razão e obsessão, não é vida, é o rascunho do que eu poderia viver, é como escrever e reescrever e nunca passar a limpo para uma versão definitiva de mim mesma.

Você me perdeu por hesitar em ser recíproco, por achar que bastaria que abrisse os braços para eu permanecer neles, achou que bastava que eu sentisse por nós dois um sentimento que deveria ser tão simples de ser multiplicado e imenso, mas que agora te faz pequeno demais pra eu te ver como alguém que mereça uma fração dele, por menor que seja.

MARCINHA

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Participe da conversa! 2 comentários

  1. Triste e bonito. Muito bom, Marcinha!

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Marcinha Rocha