Não houve nada entre nós, porque se algo houvesse não caberia no amor, não caberia em mim, ou em você. Certas paixões são eternas por serem perfeitas demais para se materializarem em pessoa, endereço e telefone. Isso! Não houve nada. E eu cheguei a amar esse nada por tornar honroso o que por ti sentia e sinto.

Intocável. Imaterial. Meu.

Se o nosso amor fosse para o corpo? Por onde percorria? Boca, beijos, abraços, mordidas no pé do ouvido? Não sei dizer. O que digo é que seria forte, intenso! Mas nos apegamos ao nada porque ele eterno, é único.

Nos apegamos ao silêncio do que não precisava ser. Fomos a perenidade sem fim que criei e valorizei. Amei cada lugar que não fomos de verdade, cada beijo que não sentimos e cada ano que não comemoramos. Amei e ainda amo o nosso “nada”. O “nada” que tuas inconstâncias não estragaram e que tuas idas não levaram.

Já pensou que a saudade pode ser exatamente a frustração de um amor que não deveria ter saído do lúdico? Penso que o amor é finito, mas em mim ele é eterno como o vazio. Sou Deus do meu sentimento. Desde que ele não saia de mim. Aqui dentro deixei um espaço que é só seu. Mas sujeito à minha vontade.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Eu, sinceramente, moldava-te às minhas solidões. Pensar em você era um dever, uma obrigação para fazer-te mais perto. Não existiam lonjuras. A própria proposta de dor emoldurava um retrato de paz no nosso lugar. Aquele que, como disse, criei pra você. Não importavam tuas escolhas. Para mim sempre estive ao teu lado e você nunca saiu do meu. Meu amor, meu nada. Fostes rio. Deixei-te em oculto por jamais querer que secasse.

Amamos o amor, o estar constantemente embriagados pelo vinho da paixão. Não seremos felizes, não teremos filhos, dormiremos de concha. Somos dois condenados pela solidão do amor. Sinto o seu frio daqui, mas não quero seu abraço: quero imagina-lo!

Prefiro que esteja em mim assim. Sem ousar ir embora ou bater a porta para nunca mais voltar. Escolhi amar o que não tive, sonhando o que teríamos. Aprendi a amar, também, o sonho que te tornava real nas imaginações. Eu amava e ainda amo a utopia da nossa eternidade.

IMG_9726flavio

Anúncios

Participe da conversa! 1 comentário

  1. Fiquei confusa. Foram 2 autores? Amo seus textos, Flávio!

    Curtir

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Das Dores Monteiro, Flávio Sousa