Acorda com o despertador às 5 da manhã da segunda-feira, mas só porque ativou o soneca. Demorou mais de 15 minutos para levantar da cama, cansado porque dormiu tarde e bebeu demais no final de semana. Foi para a cozinha fazer o café, mas não tinha açúcar. Deixou a chaleira no fogo enquanto trocava de roupa na frente do espelho. Resultado foi tomar um café forte demais e tão quente que queimou a língua. As bananas estavam podres e as maçãs haviam acabado. Ou seja, começou o dia transpirando mau humor.
Saiu de casa, entrou no carro e adivinha. Cano de descarga furado e a gasolina acabando. Correu para pegar o ônibus, mas só pegou a poeira que ele deixou quando passou 30 segundos antes. Voltou até em casa para buscar a bicicleta. Pneu murcho. Foi no posto encheu os dois e pedalou rápido até o trabalho. Chegou atrasado e suado. Perdeu a primeira da reunião e quase não chegou para a última.
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Jogou a mochila sobre a mesa quase como um sinal de alívio, mas esqueceu que havia deixado o perfume novo dentro dela. Quebrou o frasco, molhou os contratos que precisava assinar e sentiu como se tivesse rasgado e queimado umas vinte notas de 50 reais. O lado bom foi o cheiro forte e agradável da sala, muito melhor que o chulé do colega do lado.
A secretária esqueceu de passar os recados. O chefe chegou sem paciência. A faxineira não veio. O computador travou sem pedir permissão e o amigo mais próximo pediu demissão. O almoço estava frio, a faca não estava afiada e o estômago embrulhado estragou o resto do dia. O dia passou. Outro dia começou. Foi tudo parecido, mas de um jeito diferente. Não atrasou, carro não estragou, o contrato não molhou e no final das contas se acalmou.
Mais uma semana se passou. Outro mês acabou. O final do ano chegou. Abriu as contas da empresa, e o balanço foi positivo. O problema é o balanço da vida, que foi negativo. Abriu a porta do apartamento bem mobiliado, mas tinha ninguém do seu lado. Tentou ligar para os amigos, mas sequer lembrava quem eram eles. Pois é, é quase dia 31 de dezembro de um ano velho e ele vai virar a noite sozinho, como todos os outros dias do ano.
O que eu quero dizer com essa história que só existe na minha cabeça? Quero dizer que é burrice demais esperar que as coisas mudem pela simples vontade de mudança. É preciso fazer diferente para ser diferente. Não adianta esperar a melhor companhia durante um dia, se a base da tua vida foi a mais pura e sincera solidão.
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Deivid Rafael