Está decidido. Vou parar de pensar nela.

Está sendo terrível acordar e dormir sem tirá-la da cabeça e ficar sorrindo feito um idiota por algo que não sei se ainda existe. Aliás, existe, mas será que só existe aqui, dentro de mim?

Confesso que ela é um mundo à parte. Sempre foi como um mar calmo, daqueles que quando paramos para admirar vem alguém, dá um tapinha em nossas costas e diz para pularmos de cabeça, que não há perigo. Não estou certo se deveria realmente pular, mas é o que o meu sexto sentido –sempre muito falho– me aconselha, e o medo, refletido em cicatrizes de outros mergulhos, reprime.

Já estou beirando à loucura. Traço planos, sinto teu cheiro em qualquer objeto posto em minha frente e vejo teu rosto a cada esquina cruzada. Todo santo dia.

A cada notícia triste deste ano interminável, lembro da vez que ela me confessou que se sentia perdida em um mundo tão cruel. Quero encontrá-la e dizer que encontrei a solução: basta unirmos nossos mundos e criarmos um terceiro, mais bonito, florido de gentileza e sem tanto sofrimento.

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O mundo só está assim pois ninguém a ouviu sorrindo como eu. Fiquei escandalosamente apaixonado por aquela risada escandalosa e estranha.

Mas eu sou, como dizem, entregue demais, o que parece ser errado para os padrões atuais. Brega, antigo e meloso, às vezes. Sinto e abro o jogo, muito rápido. Como se amar fosse feio. Como se querer fosse pecado. Como se falar de sentimentos me tornasse menos interessante.  Mas, o que posso fazer se ela surra e me faz jogar a toalha da sinceridade, sem sequer me tocar?

Ela deve ser linda com cara de sono. Mandando tudo a merda ao bater com o dedinho na quina do sofá. Roendo unha ao ver um filme. Deve ser incrível vê-la sorrindo por algo que eu falei, ou por simplesmente por tudo que ela é.

Pelo que tudo indica, ela deve ser a mulher da minha vida, mas não me deve nada para pagar pra ver.

Ela é linda até quando some. E mesmo sumindo, continua escrevendo memórias aqui, comigo, em meus pensamentos. Em todo esse vazio que deixa, acabo me nutrindo de um sentimento placebo. Por que ela está tão longe de mim? Por que ela me tem e, ao mesmo tempo, não tem noção de quem sou eu?

Como é que ela tem o dom de me fazer decorar todos caminhos de seu beijo e me perder num beijo que sequer foi dado?

Num futuro, –espero eu que não tão distante– relendo essas linhas tortas, talvez eu seja apenas mais um cara patético, que sonhou alto demais. Mas talvez, eu seja um puta cara de sorte, por poder rir de cada vírgula dessas ao seu lado.

felipe

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