Não sei você, mas a minha parte reflexiva se aguça incontidamente nesta época do ano. Talvez seja pelo simples fato de um mais um ciclo chegar ao fim, ou por ver que mais um ano chega ao fim, e cá estou eu, inteira. Intacta, não. Apenas inteira. Afinal de contas, é um ano inteiro, são 365 dias… Seria um infortúnio se eu não tivesse aprendido nada, limitado a minha visão, ou deixado vestimentas velhas para trás. Acho que sempre vale a pena fazer um balanço do ano que passou, por pior que ele tenha sido. Sabe, talvez você só tenha apanhado da vida no ano que passou, mas olhe para dentro de você por alguns minutos… Eu e você sabemos que cada tapa na cara e cada rasteira que a vida deu, foram acompanhados de um novo aprendizado e uma nova dose de força. Sendo assim, dá pra ser grato por cada soco no nariz que a vida deu na gente.  Talvez o teu ano tenha sido incrível, abarrotado de bons acontecimentos, boas pessoas, bons momentos, boas colheitas… E aí também há a necessidade de agradecer e aprender. Sim. Porque cada um precisa saber reter aquilo de bom que recebeu. Ou talvez, ainda, o teu ano tenha sido uma mistura dos dois extremos… Cada um sabe aquilo que viveu.

Junto com o final do ano, vem a tal necessidade de pensar nas nossas tais “Resoluções de Ano Novo”. Não sei de onde veio isso, e, todo ano, eu faço uma lista enorme de coisas que eu juro que quero fazer no ano seguinte, e nunca faço nem metade, porque, cá entre nós… Eu sempre perco a minha lista. Então, desta vez, decidi eleger apenas uma coisa para ser a minha resolução para o próximo ano. Decidi acabar com a mornidão! MORNIDÃO?

“Mornidão”, segundo o dicionário, é um estado de tepidez, de falta de fervor e/ou entusiasmo. A nossa vida não pode, nem de longe, ser assim, sem saber se algo é quente ou frio. Fica tipo aquele mingau sem gosto, feito por aquela tua tia que é péssima na cozinha. Aquela coisa morninha e sem sabor definido embrulha o estômago, não embrulha? E por que é que a gente tem que levar a vida assim? No “modo morno”, que embrulha o estômago e não é capaz de gerar entusiasmo em nível algum?

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Nós temos esse tipo de mania estúpida. Colocamos tudo “no morno”. Nossos sonhos, transformando-os em algo distante, quase proibido, ou impossível, do tipo de coisa que a gente só vai conquistar quando for bem melhor do que é hoje; nossos objetivos, nossa vida profissional, estagnando-a; nosso relacionamento familiar, fazendo com que as pessoas da nossa própria casa, sejam estranhos, já que a gente nunca se dá ao trabalho de sentar na mesa com todo mundo e conversar sobre qualquer assunto; nossas amizades, transformando-as em coisinhas sem graça, porque a gente simplesmente não se dá ao trabalho de ser o amigo que quer ter; nossos projetos, mantendo-os como “apenas projetos”, sempre no papel; nosso relacionamento amoroso, ou possível relacionamento, sem tomar uma decisão que mude tudo, sem dar nenhum passo, sem dizer que gosta, sumindo de vez em quando, olhando para tanta gente diferente, mas sempre voltando para a mesma pessoa, aquela que é diferente, que tem um certo tipo de efeito sobre nós… A gente simplesmente tira tudo do fogo e deixa lá, esperando que vire alguma coisa bonita, convidativa, no mínimo comestível. A gente não coloca tempero, e espera que tenha algum sabor quando colocar na boca. Sinceramente, somos todos estúpidos. Extremamente estúpidos.

E é por essas e outras, que eu adoro essa época. A gente olha para os nossos erros, e vê que, logo ali na frente, se abrirão 365 novas portas. Serão 365 páginas em branco, prontas, ansiando por algo empolgante. O que você vai fazer com as suas? Porque eu, decidi que não haverá mais uma linha morna na história da minha vida. Aquilo que está podre, vai para o lixo. Aquelas roupas velhas, terão um fim adequado. Das amizades, uma parte vai para o congelador, porque realmente não funciona, e a outra, vai voltar para o fogo. Meus sonhos, estão todos num grande caldeirão, prontos para borbulharem em fervor. E assim por diante. Tudo aquilo que cabe à mim, colocar no freezer ou no fogo, receberá uma ação que lhe couber, que lhe for necessária. Eu decidi, leitor, que a minha vida tem que ser mais empolgante do que já foi. Nós somos um suspiro, então que seja um BELO suspiro.

Logo à frente, bem ali, virando a esquina, há um portal, e entrando por ele, se abrirão 365 novas portas, e você receberá 365 páginas em branco. Você decide como entrará por cada porta, e você decide o que conterá em cada página. Que haja fervor e entusiasmo, ou que mande tudo à um grande freezer. Mas que não haja mornidão na tua vida.

Não mais.

2017 vem aí. Que, diferente dos outros anos, finalmente, seja diferente.

debora

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Débora Cervelatti