As suas unhas estavam pintas de rosa bebê. Havia pranchado o cabelo e caminhava com um salto 15. Seus passos eram lentos e delicados, como seu sorriso. Seu cuidado era para não desmanchar o cabelo, não estragar as unhas e principalmente, estar impecável ao passar por ele.

Rebeca, era o seu nome. Ela o observava todos os dias. Estava sempre sentado no canto direito do passeio. Aquela era sua paixão platônica. Era capaz de visitar o seu perfil várias vezes ao dia e nem se quer, tinha a coragem de lhe enviar uma solicitação de amizade. Observava suas fotos, sempre acompanhado. Sua companhia era linda, loira e aparentemente encantadora.

Uma amiga, sempre lhe dizia: – Como poderá ser notada se não ousa aparecer?

Mas ela sempre fugia. Sentia um frio na barriga só de imaginar que poderia romper aquela barreira que criara entre si mesma e o desejado. Um dia caminhava pela rua, quando o avistou de longe. Estava sentado com alguns amigos e logo sentiu novamente, aquele frio na barriga. Com toda sua timidez e vergonha, queria criar um buraco e se enfiar. Sentia um medo misturado com o desejo. Suas mãos suaram frio, as pernas estremeceram e olhos se perderam. Como se pudesse ignorar o que sentia, ou o desejado, passou por ali como se não o notasse. Mas por dentro, o coração estava acelerado e sentia que não era algo comum. Era algo que a conduzia, como se tivesse um caminho, um percurso que pudesse ser traçado. Caminhou e sentou-se ao ponto de ônibus próximo.

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Com as mãos tremulas, nem se quer podia olhar para trás, seu medo era ser notada, mas seu maior desejo, era justamente seu medo. Seu olhar se perdia entre as pessoas e os carros que passavam pela rua. De repente, se sentira mais viva do que nunca. Todos os sentidos, estavam aflorados extremamente, porque ele estava ali. Tudo único, e exclusivamente, porque ele estava há alguns metros dali. A árvore na praça, nunca lhe pareceu tão grande e as flores, nunca havia notado, como eram realmente verdinhas.

O coração acelerou, sua condução havia chegado. Subiu lentamente e sentou na janela, de onde o avistou. Não se lembra nem mesmo o rosto dos amigos, mas lembra única e exclusivamente do seu sorriso, enquanto conversava. Ali sentada, ficou a encará-lo por alguns segundos e nem se quer notou quão boba parecia naquele momento. Mas como seu medo caminhava com seu desejo, e sabia que jamais quebraria barreira alguma, naquele dia desistiu.

Desistiu sem nem mesmo aparecer. Desistiu, sem nem mesmo tentar. Desistiu, sem nem mesmo dizer que a melanina de sua pele, faziam seus olhos saltar e seu coração acelerar. Desistiu, sem lhe dizer, que seu sorriso lhe era encantador. O tempo passou, e em um dia qualquer, abriu as redes sociais e por sorte, acaso ou trama do destino, uma solicitação em especial lhe arrancou um sorriso espontâneo e um brilho no olhar. Após tanto tempo, o sol lhe sorrira e sem aparecer, descobriu que já havia sido notada.

Foi esse, um desses amores contemporâneos. Dessas histórias que você não sabe, se vai, se fica. Essas histórias, onde a amizade caminha lado a lado com a paixão. Esses lances, que sempre tentam driblar o coração.

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