Bom dia, meu Amor. Preciso parar de usar o pronome possessivo; nossa relação, mesmo quando existia, era composta de tudo, menos posse. Hoje, completo três meses aqui em Itacaré. A saudade, evidentemente, aperta demais meu coração, mas logo me lembro de que, não importa o lugar onde eu esteja, você jamais voltará para os meus braços. A distância física ajuda a atenuar a distância emocional, já que se mostra como um motivo empírico, prático, tácito, como se fosse ele o verdadeiro impeditivo de te ver, o que nós dois sabemos não ser verdade.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Escrevo para te contar a respeito das referências. É incrível como, quando estamos apaixonados por uma pessoa, continuamos a olhar para as coisas, pessoas, lugares, etc., e a lembrar dela, às vezes até forçando uma barra. Por exemplo: pela manhã, troquei uma ideia com um vendedor de rua peruano. Diferentemente do que o senso comum nos leva a pensar, ele não tocava nenhum instrumento de sopro ou vendia brincos de pena. A obra do comerciante era composta por pinturas, todas bem coloridas, que mesclavam elementos de áreas totalmente diferentes. A pintura que mais me chamou atenção, justamente por me lembrar de você, foi a de um Jimmy Hendrix multicolorido, com elementos de Alice no País das Maravilhas espalhados por ele. O gato na ombro direito e a própria Alice escalando o peito na parte esquerda do corpo do cantor. Simplesmente incrível.

Seguindo meu caminho pela praia, fui tentando associar minhas memórias aos elementos que encontrava, mas, por incrível que pareça, não consegui. Faz quase um ano que nos separamos e minha mente já começa a apagar todas as nossas lembranças. Não digo que reclamo, já que este foi um mecanismo de autodefesa que construí, mas sinto-me um pouco frustrado por precisar deletar todas as coisas boas e ruins que vivemos em nome de minha sanidade mental.

Ainda guardo alguns objetos seus, como um par de brincos, livros (emprestados, dados e roubados) e até um diploma que você esqueceu aqui em casa. Ainda estou procurando o sutiã, juro. Um dia eu acho. Aos poucos, todas essas coisas estarão em minha caixinha de memórias amorosas (que também pode ser chamada de “dolorosas”), ao lado de grandes amores passados, todos finitos.

No mais, Amor, vou bem. A brisa soteropolitana me traz muita inspiração e estou quase terminando meu primeiro romance. Sei que você nunca tem saco para ler nada do que escrevo, mas, caso algum dia se interesse, abra nos dois últimos capítulos. Lá, trato de nossa história. Ainda te amo.

 

Leia “Cartas para ela – Parte 1”Clique aqui

cassar

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Gabriel Cassar