O dia de trabalho ia normal até que uma notificação de e-mail me chamou atenção.  Minhas mãos congelaram sobre o teclado ao ler que tinha recebido um e-mail seu. Naturalmente, eu já sabia do que se tratava, mas tantos dias se passaram desde que deixei a carta sob sua porta, que achei que jamais receberia uma resposta.

Por alguns minutos cogitei nem mesmo ler. Até agora, acredito que te deixar aquela carta foi um erro, um impulso que simplesmente não puder conter. No entanto, acreditei no que te dizia, sempre, para te acalmar: “Tudo tem seu tempo”.  E se houve o tempo de escrever, deve haver o tempo de ler também. E por isso li.

Em primeiro lugar, me desculpe. Nunca quis te fazer sofrer com aquela carta. Como disse, foi um impulso, um sentimento forte, tão forte quanto o do dia em que te beijei naquele bar, quando nos conhecemos. Sim, eu também acho estranho e talvez mais irônico do que o meu sofrer te pareceu. Partir nunca é fácil, é abrir mão de sonhos e assumir que você falhou. Então sim, sofri e lamento que não entenda isso.

No entanto, acredito que tenha sofrido também. Acho que nunca fui incisivo o bastante para te fazer entender os motivos que me fizeram sair da sua vida. Mas também acho que é tarde para me fazer entender.

Não se preocupe quanto sua porta.  O olho mágico já não mais mostrará minha imagem e você não vai mais ter uma renúncia minha. Por favor, não chore mais a noite e nem sofra pelo que um dia fomos. Músicas me lembram você. Cheiros me lembram você. Lugares me lembram você. Já me dei conta de que, mesmo em minha memória, você estará sempre presente e que eu não tenho nenhum controle sobre isso.  Então parei de visitar sua porta, para ouvir tua voz distante. Não precisamos conviver com isso.

Tão pouco, podemos ser amigos. Você diz que encarcerei nossa história, mas não imagina o quão presente ela ainda é para mim. Está em cada lugar que eu vou, em cada lugar que nos encontramos, em cada momento que tivemos juntos e que agora experimento sozinho.

“O amor ainda existe em mim, confesso” é algo que também posso dizer.  Levei um tempo para entender, mas só isso poderia ter gerado um impulso tão forte para me fazer ir até sua porta diversas vezes.  Mas em mim não há feridas. Há apenas um vazio, grande é gélido, que teima em não acabar e não sei por qual motivo insiste em trazer você à tona.

Talvez, só talvez, precisemos nos ver mais uma vez e encerar aquela conversa que acabou com uma porta batendo. Colocar os pingos nos “is” e me fazer entender de vez. Talvez assim o vazio se preencha. Talvez assim suas feridas se curem. Talvez assim eu entenda meu impulso incontrolável. Talvez assim você entenda o que tanto precisa saber: por que. Mas o mais importante; talvez assim eu entenda que eu amo você.

 

Em resposta ao texto Eu preciso entender por que 

hugo

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  1. […] Em resposta ao texto Talvez eu entenda que amo você […]

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