O que eu tinha na cabeça quando aceitei te encontrar? Não sei.
Eu não tinha qualquer esperança de que as coisas pudessem se resolver entre a gente, eu era grande demais para caber nos teus pequenos espaços.
Nossa história começou tão bem. Nunca esquecerei nosso primeiro encontro e em como me senti segura nos teus braços. Pertenci imediatamente às tuas mãos que deslizavam em minha coxa e me puxavam enquanto meus lábios logo se viciaram nos teus. Entre palavras e sorrisos, nos divertimos em fazer jogos para acabar embolados um no outro.
Logo depois, as coisas desandaram. Perdi o controle, confesso. Eram compromissos atropelando as possibilidades. Era vontade de menos para sentimento demais. Nos perdemos nesse redemoinho intimista.
O que restou de ti foram apenas palavras e promessas que não ocupam esse vazio que deixou do lado da cama onde você ficava.

Eu revisei na minha mente todos os motivos para te esquecer, respirei fundo e fui te encarar. Mas, ao vê-lo ali sentado à minha frente, tudo se foi ao chão. Tentei me lembrar do que fez eu me apaixonar por você e não encontrei qualquer motivo. A verdade é que eu te amava sem conseguir entender ou controlar. Você estava ali e isso era suficiente para fazer meu coração acelerar e eu prender a respiração. Bastava um único olhar seu e eu perdia a noção de espaço, me esquecia de qualquer um a minha volta. Eu me perdia na tua presença para conseguir me encontrar apenas em você.

Não conseguia pedir para que ficasse, não conseguia pensar em qualquer coisa para lhe dizer. Eu não entendia o motivo daquele encontro e apenas observava você me colocando a par dos teus dias e dos novos planos. Não entendia.
Não, eu não entendia o motivo daquele momento entre nós. Nunca fomos amigos, eu até tentei fazer a minha parte, mas você sempre deixou uma distância segura e eu percebi que era melhor assim, continuei minha vida sem olhar para trás a sua procura. Então, por que agora esse interesse repentino? Não entendia.
Não entendia a sua insistência durante um mês enquanto eu inventava desculpas e compromissos e você não cansava em retornar para verificar um espaço em minha agenda.
Não fazia sentido e você rodeava sem nunca chegar ao ponto. Entre meus sorrisos forçados, caipirinhas me injetando álcool e respostas curtas, resolvi me despedir. Aquilo me parecia simplesmente uma tortura.
Você se levantou sem graça e disse que me levaria. Tentei, em vão, dissuadi-lo. No carro, continuou a preencher o silêncio com as histórias que lhe levaram até ali. Eu não conseguia ouvir, na minha cabeça repassava um filme ruim de nós dois nos despedindo e eu me questionava o porquê de repetirmos aquilo. Parando o carro em frente à minha casa, dei uma breve despedida já saindo e você puxou a minha mão.
Olhei para ti sem entender no que de pronto você me beijou.
Não era a mesma coisa. O homem que eu amava me beijou e eu não consegui sentir nada. Estava surpresa e embaraçada com o rumo daquela noite. Você me olhou novamente procurando uma resposta, eu só consegui dizer a verdade.
– É tarde demais.
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Thamires Alves