Quando cheguei em casa estranhei aquela carta debaixo da minha porta. Quem faz isso hoje em dia? Peguei o papel nas mãos e parei de respirar quando reconheci sua caligrafia. Eu identificaria aquele seu “s” em qualquer lugar do mundo. As chaves foram parar no chão imediatamente e eu fiquei sentada no sofá olhando para o envelope sem nem piscar. Meu corpo todo tremia e eu temia. Temia o conteúdo, minha reação e o monstro que estava prestes a sair de lá. Os minutos foram passando e o papel começou a queimar minhas mãos. O mostro saiu e me devorou sem piedade. Minhas entranhas foram moídas por cada uma das palavras ali escritas.

Li e reli sua carta. Muitas e muitas vezes, mas só hoje tive forças de responder. Imaginar você atrás daquela porta tem me atormentado. Já me peguei olhando pelo olho mágico para ver se encontro você do outro lado. Nunca encontrei, nem sei porque tentei. Não sei nem se tudo que disse é verdade e se ainda visita o batente que separou nós dois, mas imaginar que isso aconteceu me tirou do eixo. Chorei por muitas noites e ainda choro. Choro porque o passado ainda parece presente e o presente não enxerga o futuro.

Saber que você também sofreu me parece um pouco irônico. A partida foi uma decisão sua. Foi a escolha que você fez ao encarcerar nossa história no calabouço das lembranças. Você foi embora sem me dizer por que e eu fiquei aqui, me culpando por erros que eu nem sei se cometi. Tentei entender os motivos que te levaram a desistir de mim assim e doeu. As feridas ardem quando você se dá conta de que foi abandonada por razões que desconhece. Sua ausência foi sentida sim, na mais pura intensidade, mas a inexistência da causa agravou o quadro todo. Uma explicação teria amenizado os sintomas. Teria sido um sopro no coração já esfolado.

Imaginar você na minha vida de novo me desalinhou, então nem pense nessa possibilidade. O amor ainda existe em mim, confesso, mas as feridas abertas não permitem que eu confie em você. Por medo não posso abrir a porta. Eu não resistiria e você devastaria minha vida mais uma vez. Não toque minha campainha, por favor. Eu não vou suportar outra renuncia tua.

 

Em resposta ao texto: Eu também me lembro de você (Leia e entenda a história completa)

MONIKAJORDAO

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  1. […] Em resposta ao texto Eu preciso entender por que  […]

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Monika Jordão