Sim, meu amor, eu sei que esse negócio de “carta”, em pleno século XXI, já não faz muito sentido. No entanto, pense comigo: imagina algo do tipo “whatsapp para ela”, “e-mail para ela”, “inbox para ela”… Meio ridículo, né? A epístola tem um charme incomparável, não tem jeito (mesmo não se fazendo materialmente presente). Metáforas e digressões à parte, vamos ao que interessa.

Acabei de pousar no aeroporto de Porto Seguro, exatamente um ano após a minha primeira viagem à Bahia, aquela mesma que antecedeu nosso término. Foi difícil, especialmente para um canceriano com Lua e Vênus em Câncer como eu, não associar os elementos locais e as pessoas com a tristeza que senti ao me ver sem você. Era delicioso te contar como estava sendo minha viagem e o quanto você se mostrava interessada, pedindo até que eu lhe desse mais atenção, o que, convenhamos, nunca foi do seu feitio.

Vou passar uns meses na casa da Maria, aquela minha amiga que te apresentei no bar em Botafogo, lembra? Consegui um emprego num jornal local, bem pequeno, mas delicioso de trabalhar. A busca pelas pautas faz o meu dia e, como você bem sabe, nada me dá mais prazer do que descobrir histórias incríveis em lugares desconhecidos e pequenos.

De manhã, o café é bem natural, recheado de frutas e suco. Confesso que sinto falta do seu pão de queijo, até brinquei com a Maria sobre isso. Imagine que ela nem sabia que, para os pãezinhos não grudarem na fôrma, era necessário colocar papel alumínio embaixo? Eu, que mal sei fritar um ovo, dando dicas de culinária para alguém. Quem diria.

Encontrei algumas vilas bem interessantes nos arredores. Entre pescadores e caroneiros, achei um pessoal meio hippie aqui, numa praia perto de Itacaré. Rapazeada muito boa, vivem de artesanato e da promoção do festival de música psicodélica que fazem três vezes por ano. Nem preciso dizer que essa seria sua parte predileta, caso estivesse comigo aqui.

Acabei me envolvendo com uma moça, da Bahia mesmo, chamada Lorena. Não que eu esteja apaixonado (acho que, depois de nosso relacionamento, nunca mais conseguirei me entregar a alguém dessa forma), mas ela me faz bem e tem uma personalidade muito calma e serena, o que me traz paz. Na próxima “carta”, prometo te contar mais detalhes. Sei que você, genuinamente, apesar de não me querer mais, torce pela minha felicidade e tem curiosidade sobre as desventuras deste amargurado escritor, que um dia foi seu companheiro. Ainda te amo.

cassar

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  1. […] Leia “Cartas para ela – Parte 1” – Clique aqui […]

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Gabriel Cassar