Hoje o celular tocou. Assustei-me um pouco, não costumo receber ligações. Olhei o número, achei conhecido, mas não reconheci. Pensei se deveria atender ou não, tenho grande problema em falar por ligação (não me pergunte o motivo, só não gosto muito mesmo). Mas resolvi atender. Uma voz masculina e serena estava do outro lado da linha. Disse “Oi. Que bom que você atendeu”. E eu? Eu ainda estava tentando reconhecer a voz. Não lembrava de ninguém que eu teria conhecido recentemente e passado o número do meu celular. Por alguns instantes fiquei em silêncio, tentando de alguma forma me recordar de quem pertencia aquela voz. Não houve saída, precisei perguntar.

“Oi. Quem é?”. E, a voz que antes se fazia serena, ganhou um tom um pouco de assustada. Tal mudança foi perceptível no exato momento em que o moço do outro lado questionou “como assim? Você apagou o meu número? Sou eu!”. E um dia eu já tive? Pensei… “Sou eu? Eu quem?” E, um pouco mais enfurecido, enfim, ele se identificou. Era ele!  Meu Deus, ele estava me ligando. Depois de tanto, tanto tempo. O cara que eu era completamente apaixonada. Eu, que tanto esperei por um sinal de vida qualquer dele, mal tinha reconhecido sua voz na ligação.

A conversa durou pouco tempo, não fiz muita questão de levar adiante. Algumas perguntas ali, outras aqui. E então o assunto findou-se. Desliguei e fiquei um longo tempo parada, estagnada, procurando entender o que eu estava sentindo. Aliás, procurando acreditar se o que eu estava sentindo (ou não sentindo) era mesmo real. O homem ao qual eu me entreguei de corpo e alma e me fez de gato e sapato, naquele momento não significava mais nada para mim. Eu não conseguia sentir mais nada. Raiva, nojo, paixão, amor. Nada! Entende? Ele se tornou indiferente. Não exercia mais nenhum poder sobre mim e meus sentimentos.

Voltei a fazer o que eu estava fazendo. Tudo continuou normal. Tudo permaneceu na mais perfeita ordem. E foi então que eu pude me dá conta do quanto as noites mal dormidas, os sacrifícios para estancar a ferida que ele havia deixado e a luta árdua para dar a volta por cima depois de tanto desamor, tinham valido a pena. Cada lágrima, valeu a pena. Cada dorzinha, valeu a pena. Porque ali, após o telefonema do cara que um dia eu jurei de pé junto ser o amor da minha vida e não viver sem, eu tive certeza que essencial mesmo é uma boa dose de amor próprio, bem querer e coração em paz depois de deixar para trás quem não quis seguir comigo.

img_6866

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

CATEGORIA

Ana Luiza Santana