A verdade? A verdade é que desde que bati aquela porta eu voltei diversas vezes a ela. Cheguei a encostar na campainha, mas não tive coragem ou força para tocá-la. Ao olhar a porta, tudo que lembro é do som dela se batendo atrás de mim, no dia em que fui embora. Você deve achar que foi fácil; não foi. Bater a porta foi como um bater com o carro… Leva um tempo até você entender que é real e só aí a dor vem. E veio.

Eu sei, não foi a primeira vez que brigamos. E, talvez, não seria a última, caso eu ainda pudesse entrar em sua casa e discutir com você sobre onde guardar as chaves. Com certeza eu venceria e elas acabariam sobre a mesa. Mas de certa forma me arrependo.  Levou muito tempo para entender o quanto eu realmente gostava de dividir meu espaço, minha vida com você. Mas também sei que para você doeu, e isso me tira as forças para tentar de novo.

Sim eu tentei; na verdade, eu ainda tento esquecer.  Foram noites de balada, bebedeira e até viagens. Mas tem sempre algo que me faz gelar por dentro; algo como o acidente de carro – que só existiu ao som da porta batendo – que me faz lembrar de você.

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Passei a correr. Corpo são, mente sã. Mas a minha companhia de corrida, nosso cachorro, agora meu, me faz lembrar do dia em que fizemos amor no chão da cozinha depois de discutir sobre deixar ou não ele subir no sofá. Ou qualquer outra coisa boba, que não merecia tanta atenção.

A água tônica não acompanha mais o Gin. Agora é misturada com uma boa dose de Campari. Amargo; como a vida ficou depois daquele dia. Na academia pensei ter te visto um dia desses, como um vulto passa de uma sala para outra, na saída de uma turma de boxe. Mas achei de mais para você, sempre com preguiça dormindo no sofá.  Memória aliás, que me fez vender o meu; simplesmente não consigo sentar nele e não lembra de você.

Às vezes a vida também não me ajuda.  Conheci uma outra pessoa em uma viagem para Curitiba. Inteligente, como você. Bonita, como você. Independente, como você.  Ironicamente, com o mesmo nome que você. Simplesmente pedi a conta e fui embora. Ouvir seu nome teve a mesma força do vento que empurrou a porta. E mais uma vez fiquei em choque esperando até saber se era real ou não.

Talvez eu estivesse errado, talvez não. Mas sabendo que as coisas terminariam assim, talvez eu tivesse feito diferente. E assim, talvez, eu não visitaria tanto seu prédio, sua porta. Talvez eu não revivesse todos os dias aqueles 3 segundos, que pareceram anos, do momento em que tudo o que eu mais quis era sair da sua vida. Porque hoje eu tudo o que eu mais quero é voltar. E sei que é impossível. Não se pode voltar para algo que habita a gente.

Em resposta ao texto: Ontem me lembre de você (Leia também)

hugo

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  1. […] resposta ao texto: Eu também me lembro de você (Leia e entenda a história […]

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