Estava claro em seus olhos baixos ao me encontrar o quanto foi difícil para ela aceitar o convite. Eu sei que pisei na bola, estava ali na frente dela me confundindo entre as inúmeras desculpas esfarrapadas que inventei, muito mal ensaiadas, nas quais eu mesmo não conseguia acreditar que estava contando e sabia que ela também não.

Seguiu-se uma pausa e vocês não imaginam o inferno que se passou aqui dentro. Ela não ia me perdoar e eu não tinha qualquer motivo para convence-lá do contrário. Uma única pergunta e tudo cairia por terra.

A mulher que eu admirava, que se entregava tão facilmente a mim como sei que não se entregou a nenhum outro, parecia estar prestes a dizer um adeus que eu sabia que ia doer.

Festa após festa, bebedeira após bebedeira, garota sem graça após outra, eu sabia que nada daquilo que escolhia naquele momento me valiam uma só noite sem ela. Mas eu segui com respostas vazias, fugia dela, fugia de ver o meu mundo parar com ela e de imaginar que ele nunca mais andaria no ritmo normal depois que ela passasse pela porta para voltar para casa.

Sim, eu fugia do sentimento de perda que me vinha todas as vezes que ela ia e eu ficava naquela cama me lembrando dos sorrisos dados há poucos minutos, de quão sincera eram tuas palavras e do quanto gostava de vê-lá realmente pensativa sobre algo que acabara de lhe contar… Eu sei, você vai me chamar de idiota. Não existe outra palavra, eu estava sendo um idiota com a mulher que fazia eu me sentir o homem mais sortudo do mundo.

Ela se preocupava comigo, quase perdeu as estribeiras quando roubaram meu celular e ela ficou sem notícias. Duvido que alguma outra passaria 3 meses inteiros sem receber uma única mensagem e voltaria para os meus braços com a mesma paixão que ela voltou, isso logo depois de nos conhecermos.

Ah, cara… O pior é que eu sei bem que não era só a mim que ela deixava louco. Era só eu fazer um churrasco em casa que ela aparecia e fazia as honras da casa, meus amigos ficavam tão perturbados quanto eu. Ela tem um encanto natural, aparecia com seus vestidos simples, um bom humor e uma doçura que enfeitiçava a todos. Sim, mesmo assim eu bobeei.

Finalmente ela encarou meus olhos. Nunca a tinha visto com uma expressão séria.

Ela sempre estava sorridente, era educada até com quem não merecia, nunca a vi alterar a voz e perder a paciência. É boa, mas não boba, tinha jogo de cintura, sabia sair das situações difíceis que lhe colocavam, era diplomática, política, sabia defender seu ponto de vista e convicções com tamanha elegância e, assim que sentava no banco do carro, fazia observações que me faziam questionar quanto poder tinha guardado para descobrir tudo e me surpreendida no quanto conseguia ser discreta mesmo assim.

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Mas, naquela noite, ela não conseguia disfarçar sua decepção, não conseguia disfarçar a tristeza em seu olhar e me doía ver sua dor. Ela me amava. Estava escrito na expressão que se dividia entre ir ou ficar e eu não tinha um único argumento para convence-la de que eu ainda era a melhor opção.

Então ela deu um suspiro longo, derrotada. Eu me preparei. Ela então cruzou o pouco espaço que nos separava para me abraçar fortemente.

Encolhida, vi ali quanta coragem ela reuniu para continuar ao meu lado quando eu menos merecia, para apostar em um amor que lhe tirava o chão, para construir uma estrada para dois que corria o risco de percorrer sozinha…

Encolhida, ali nos meus braços ela ficou e me mostrou que era pequena, que fraquejava, que morria de medo de me perder. As lágrimas escorriam e ela soluçava o perdão doloroso que lhe consumia o orgulho para dar a chance ao homem que amava de se redimir.

Ali ela ficou me mostrando que é mais forte e o quanto eu que sou pequeno diante do seu amor. Essa era a grande mulher que se mostrava a mim com todas suas fraquezas, defeitos e ambições, sem nada prometer, mas tudo dar.

Pequena, nos meus braços, já na cama, observei seu sono guardado e vi as suas olheiras denunciarem noites de insônia, talvez fossem daí que surgiam as mensagens de madrugada. Vi ali meu mundo parado e percebi que ele só tinha girado todo esse tempo porque ela existia e que ele mudava de ritmo só para me mostrar que mulher igual a ela, para mim, jamais existiria, essa era a minha fraqueza.

Pequena, linda e estonteante em meu colo, observando-a decidi deixar de ser idiota para ser o homem que ela já via em mim, o homem em quem ela apostou ao dar seu perdão, o homem que mereceria aquela mulher.

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Thamires Alves