De “amor perfeito”, só a flor.

Eles se conheceram numa noite quente de terça-feira. Foi uma legítima cena de filme, que só acredita mesmo quem viu; ela tropeçando numa bolsa deixada no canto do corredor do cinema. Ele parado conversando com os amigos. Ela perdendo o equilíbrio no exato instante em que ele foi amarrar o tênis. Ela caindo nos braços dele. Os olharem se cruzando com a paixão ardendo dentro de si. Ele diz que “ela caiu do céu”. Ela diz que eles vão casar. Hoje estão juntos há três anos.

E não para por aí. No Instagram eles tem mais de mil seguidores, “ah, que lindos! Quero um dia, um amor igual ao deles”, e os likes nunca param. Ele posta foto dela toda vez que a leva pra jantar. Ela posta foto toda vez que ele dorme em seus braços. É amor! No Facebook, postam vídeos se beijando, mimando, estampando a felicidade na cara como se vivessem num mundo só deles, e o resto não existisse.

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Tão fácil tachá-los como “casal perfeito” quando somos meros seguidores de uma página que, cada mínimo detalhe, é pensado pra que eles pareçam as pessoas mais felizes do mundo.

Quem dera o amor real fosse assim: mágico, fácil, impecável. Desculpem-me os iludidos, mas de “amor perfeito”, só a flor.

Longe de mil julgar casais que eu não conheço, mas pra mim, o amor vai tão além do que editamos, postamos e compartilhamos. Eu gosto mesmo é daquele amor imperfeito, vulgo, real.

No amor real, nem sempre os dois são pessoas lindas, ricas, magras, altas, esportistas ou qualquer outra qualidade gritante. Elas podem simplesmente serem pessoas normais, que vestem jeans e camiseta, que se exercitam quando dá mas que não hesitam a noite de comer brigadeiro e ficar embaixo dos cobertores. 

No amor imperfeito, as pessoas não estão sempre sorrindo. Não concordam em tudo o que pensam. Não seguem uma vida juntos, dividem, por preferência as suas, com a pessoa que ama. Não acordam maquiadas. Não dormem sempre com o pijama mais bonito. Não deixam de fazer piadas, corrigir um ao outro, fazer cócegas ou ir à praia e comer pouco por vergonha de estar na frente do outro.

No amor real tem briga, sim! Quebram pau quando necessário, se mordem por ciúmes bobo, discutem por atenção, fazem birra e depois se acertam pelo simples fato de se amarem.

Eu não quero desiludir ninguém. Muito menos acabar com o sonho de encontrar a pessoa perfeita, pra casar, ter filhos, uma casa linda etc. Mas é questão de maturidade entender que a pessoa perfeita pra ti, vai estar cheia de imperfeições. E que se for amor mesmo, os erros vão ser uma pequena parte de uma história de amor real, e quem sabe, eterna. Vá! Ame errando e viva amando.

debora Bobsin

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