O barulho do seu salto ecoava pelos corredores. O local era um casarão abandonado, mas não qualquer um. Ali ela carregava lembranças muito pessoais. Era pra ser só uma conversa rápida, quando ele chegou com aquele sorriso, dizendo que a amava. Meio perturbada com a situação, logo disparou:

-Você demorou! Diz logo o que quer.

-Eu só precisava te olhar, estava com saudades.

-Ah me tirou do trabalho pra isso? Já olhou, pronto.  Nesse momento foi logo saindo, quando foi pega pela cintura. Ele sabia que apesar de magoada, chateada, nada mudara e seu corpo podia reconhecer suas mãos.

-Me solta, para com isso.

-Solto, se você dizer que não quer me beijar.

Nesse momento seu coração acelerou e ela teve novamente aquela sensação de que o mundo havia parado ao seu redor. Seus olhos fixaram nele. Sagaz como todo bom amante, lhe apertou ainda mais contra seu corpo: – Eu sei que errei, sei que falhei contigo, mas relaxa porque eu quero só você.  Eu posso gritar para o mundo inteiro que sou teu. Porque desde o dia em que eu te conheci, é como se tivesse injetado uma adrenalina em mim.

-Uma adrenalina? Desde que te conheci sinto que não tem hora e nem lugar para o amor. Só não posso continuar como se estivesse tudo bem. Tem um abismo entre nós agora, será que não percebe?  Suas aventuras estragaram tudo.  Ela foi se esquivando dele, que ficou parado diante da sinceridade que ela havia despejado. Em um estalo, parou a sua frente e foi despejando.

-Aventureiro sempre fui, desses bicho solto. Até o dia em que você pegou meu coração e levou na sacola né? Outra vez ela sentiu seu mundo parar, porque ardentemente foi beijada. Ele a encostou na parede, que em contraste com seu vestido vermelho, compôs um cenário digno de mais uma de suas memórias.

Ao pé do seu ouvido e acariciando seus longos cabelos, ele sussurrou: – Posso ter várias versões, mas a melhor delas é quando estou com você.

-E quando fugir outra vez, o que eu faço? Como eu fico quando for se aventurar por ai novamente?

-Vem ficar perto de mim, o amanhã a gente resolve depois. Por             que a questão é que contigo o coração bate na sola e hoje eu tenho vontade de me aventurar sim, mas em cada curva sua e nada além.

Seus olhos brilharam e outra vez se entregou. Ali percebeu que estava diante dessas paixões, que desnorteia a alma e perturba o coração.  Durante muitos anos, um sempre devia algo a mais para o outro. Mas ambos sabiam, que o sol lá fora, entrando prelas fretas, as paredes pichadas, os móveis abandonados do local, e cada canto daquele lugar, haviam sido testemunhas do mais completo desnorteio de quem ama e não sabe o que fazer:

-Fico tentando me lembrar, onde foi que me apaixonei, disse ele.

-Quando me abraçou, colou teu corpo no meu e me aqueceu, me deu vontade de fugir. Fez eu me sentir mulher como nunca antes. Foi ali que eu me apaixonei.  Ele sorriu ao ouvi-la e disparou.

-Eu não sei, só que sou melhor do teu lado, então cola em mim!

-E amanhã?

-Te abraço, te aqueço e te faço se sentir mulher outra vez e quantas vezes for preciso, pra não acordar.

Ela sorriu e se abraçaram, como quem ainda tenta entender a sintonia de amar.

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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