A gente cria umas crises tão desnecessárias. Vez ou outra, me pego pensando em crises que já tive e depois pareceram besteira quando comparadas a infinidades de coisas realmente importantes para pensar e amadurecer.

Já tive crise porque comi muita gordura e fiquei achando que meu corpo estava reagindo instantaneamente ao hambúrguer com bacon e batata frita, óleos e gorduras. Já tive a crise da falta de um namorado, porque as pessoas me diziam que já estava na hora de arranjar um namorado, então eu precisava ter um namorado, para me acalmar e ficar quieta. Como se um homem pudesse determinar os meus horários de chegada e saída, comprimento de saia e decote. Aliás, a gente não nasce sendo feminista e demora um tempo pra ir desconstruindo padrões.

Já tive a crise da indecisão da faculdade, da indecisão de que roupa era a certa para ir a uma festa, da indecisão entre débito e crédito, copo ou canudo. Crise de ansiedade, crise do medo da morte, da dor que não sara e a crise de ir ao médico para tomar injeção.

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Indecisão e tempo caminham em lados opostos e por isso não durmo. Quem sou eu? O que faço do mundo? Onde vou no segundo quando a vida se acaba? Quem sou eu? Trabalhador? Vagabundo? Serei pouco ou muito? Me chamo Pedro ou Raimundo? Essas perguntas todas em uma canção chiclete dentro da minha cabeça. Quando deito com essas palavras, quero um copo d’agua, um rivotril, um tapa na cara, um abraço apertado, um desabafo dolorido. Quero dar uma olhadinha lá no futuro, pra saber quem eu sou, onde estou, para onde vou.

E aí eu vou lidando com o fato de que eu tenho medo da minha própria vida, das minhas emoções e do quanto elas podem interferir no meu jeito de viver. Tenho medo de parecer ser quem eu não sou e principalmente, medo de dar errado.

Toda vez que acontece uma merda seguida da outra, eu crio um medo maior de não conseguir lidar, de fazer tudo errado, de me atrapalhar e cair no abismo que é a minha instabilidade sentimental.

Eu sofro pelo amanhã, porque acredito que ainda não conquistei o hoje. Tenho muito medo de não dar certo, de estar cometendo mais uma das imensas decisões erradas que já tomei.

Todos os dias, me equilibro numa corda bamba para manter-me firme diante às adversidades, diante às dificuldades, diante a qualquer coisa que chegue se instale e me roube a razão. Acontece que o ponto de conflito está sempre mais perto da hora em que a gente só quer parar, esquecer, fechar os olhos e dormir.

Aí eu sinto que preciso urgentemente de terapia. E bagunça mais ainda a mente, porque a gente sempre acha que está bem, mas na real nunca se está bem quando o problema é mais íntimo do que físico, passivo de resolver.

Qual é a solução que se aplica na memória? Que remédio eu tomo pra pensar de menos em todas as coisas que eu quero que aconteçam agora, já, na velocidade da bala que acerta o peito e a dor e a morte e o último sopro de vida.

É que é tão difícil conseguir alguma estabilidade emocional que quando vem a crise, a gente sente um medo desgraçado de por tudo a perder.

Na hora em que ela chega, a gente esquece a razão e esquece a metáfora do degrau. E é preciso relembrar: Tem degrau que cai, tem degrau que é firme e tem aquele degrau que finge cair, mas só flutua pra te fazer subir mais rápido. Resta a inteligência e a sorte pra saber decidir.

Logo eu, tão burra e tão confusa com tudo.

A vida é uma escada de degraus flutuantes… A gente sempre tem que saber onde pisar.

Camila

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Camila Oliveira