É foda. Ser livre é legal, ter uma vida boa é privilégio, ter pessoas leais na correria é essencial. Ter praticamente tudo que a maioria das pessoas gostaria de ter tem lados bons e ruins. Estabilidade, tranquilidade pra arriscar na vida, ter certeza de que não há temor no futuro é o melhor lado disso. Ser alvo de julgamento, odiado sem nunca ter tido a oportunidade de uma conversa, visado como obrigação de bom exemplo e saber que seus tropeços são alvo de comemoração é o pior. É o preço que se paga, são assim que funcionam as pessoas mesmo. Afinal, vai dizer que você nunca falou de alguém sem conhecer?  É quase sem querer, eu também já fiz isso. Me arrependo, só que a merda é que isso é natural. Não deveria ser, mas é normal. Por isso que depois de tantas madrugadas indignado ou triste, sem conseguir dormir e com um nó na garganta por conta de ter sido alvo de algumas palavras injustas, aprendi a entender que isso faz parte da vida de todo mundo. Segue o baile, a questão aqui é maior que essa.

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O ponto é que tendo mais ou tendo menos, ninguém tem tudo. Tem gente que sonha em ser milionário, tem gente que sonha em encontrar um amor. Alguns se contentam com pouco, outros vão querer mais não importando o quanto consigam. Todos sempre vão ter algo por conseguir e não adianta dizer que não. Porque por mais que você tenha um mísero e único objetivo, quando ele for alcançado não vai demorar muito para aquilo ser pouco e se tornar monótono. Quanto a isso, somos todos iguais. O ser humano, racional que é, foi programado para estar sempre procurando algo que não lhe pertence. Vai passando a vida, você vai amadurecendo e mudando seus desejos, contudo sempre haverá algo que ainda pode ser seu.

No meu caso, hoje, é contar alguém que me aceite de qualquer forma. Pode alguém próximo se sentir ofendido com essa colocação, já peço desculpa de antemão. Talvez seja este um desejo até egoísta. Meu sentimento no momento é que preciso de alguém que me escute pacientemente, mas não me aconselhe. Tenho boas pessoas ao meu redor que sei que atenderiam qualquer chamado meu, em qualquer hora de qualquer dia. Sei que sozinho eu jamais ficaria, caso não fosse essa minha vontade. Acontece que carrego comigo um grande receio de me abrir por completo. Pois tenho certeza que no momento em que eu dissesse tudo que guardo aqui dentro, eu deixaria essa pessoa próxima na obrigação de me orientar, me ajudar, me desafixiar. Não é isso que procuro.

Gostaria mesmo de uma pessoa que sentasse por vontade própria e ouvisse, por horas se necessário, tudo que eu tenho pra dizer. Recebesse meus desabafos e segredos de coração aberto, e não dissesse uma palavra sequer. Sentisse a minha dor comigo, mas não guardasse ela pra si. Alguém que eu tivesse certeza que jamais iria comentar com ninguém meus sentimentos, desejos e vícios. Levaria meus segredos ao túmulo e não revelaria nem sob tortura. Que não se importasse se o teor do meu desafogo fosse melancólico ou auto-destrutivo. Um indivíduo que me abraçaria caso eu quisesse, ouviria meu choro e não acharia loucura. Alguém que me visse no dia seguinte na rua e não me olhasse diferente. O que eu mais queria nesse exato momento é alguém que entendesse meus erros mais severos, meus malucos planos de desaparecer, meus medos mais bobos, minhas atitudes mais desprezíveis. Uma pessoa que atenderia uma ligação onde eu dissesse:

– Acabei de fazer uma merda! – E não me criticasse por isso. Apenas me escutasse e dissesse que estaria do meu lado, não importando o tamanho da minha burrada.

Uma pessoa que fosse mais neutra que um amigo próximo e não tentasse solucionar e nem se preocupasse por meus problemas. Que fosse mais distante que um cônjuge e não se sentisse afetada ou culpada por mim. Que tivesse menos conexão que um familiar próximo e não se temesse por minha falha.

Será que existe alguém para me ouvir?

paulinho

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Participe da conversa! 3 comentários

  1. Este alguém que eu procuro!

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  2. Existe sim. Só não diria que eu seria essa pessoa, pois acharia que eu estaria apenas chamando atenção!

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  3. Essa pessoa eh vc msm! O único capaz de não se julgar e se acolher! To eu aqui já dando pitaco! Se ouça!

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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