Não foi como nos filmes, com um esbarrão no corredor, papéis espalhados no chão e nossos olhares se cruzando enquanto ele se abaixa para me ajudar a recolher a bagunça com uma linda trilha sonora ao fundo. Não, não foi assim, lindo e poético. O que aconteceu foi que ele se distraiu enquanto olhava para o celular e bateu na traseira do meu carro novo no meio da Av. Bandeirantes. Eu desci do carro furiosa e ele riu. Ele riu na minha cara. Isso me deixou ainda mais nervosa e eu esbravejei. Ele olhou pra mim gargalhando e pediu desculpas dizendo que arcaria com o meu prejuízo. Eu estava revoltada com toda aquela calma e queria muito brigar, queria gritar, arrumar confusão e xingar até a última geração da família dele, mas ele não me deu abertura para isso. Foi muito gentil, me abraçou quando eu comecei a chorar e me deu um beijo no topo da cabeça quando eu suspirei para tentar controlar as lágrimas. O perfume dele me inebriou, mas fui discreta.

Trocamos telefone, meu carro foi consertado e todo o problema foi resolvido rapidamente. Ele era tão bonito, charmoso e interessante que eu tentei uma aproximação. Dei mole, mandei mensagem, agradeci a atenção e até sugeri uma comemoração quando tudo acabou bem, mas ele não me deu moral. Meses se passaram e eu esqueci a risada, a barba e o abraço. Esqueci a confusão, o olhar simpático e o beijo no topo da cabeça. Esqueci todo o episódio, quando ele apareceu e me fez lembrar. Foi numa tarde de segunda, no meio de um dia cheio, numa mensagem curta e simples: “Oi moça bonita, ainda lembra de mim?”. Eu me esforcei para me lembrar do rosto que aparecia na foto do WhatsApp e minha memória não me traiu, era ele, o cara lindo e simpático que bateu no meu carro. Trocamos mensagens por alguns dias, saímos para jantar e em 6 meses estávamos debaixo do mesmo teto. Ele me atraiu, em todos os sentidos.

Estamos juntos há 3 anos e me apaixono por ele toda vez que ele conta essa história, até na parte que ele diz que era noivo na ocasião e por isso não pode sair comigo, mesmo desejando muito. Ele conta que pensava muito em mim, na minha cara de brava e no convite que fiz. Ele confessa que tudo isso o fez questionar o futuro casamento, que ele ensaiou me enviar mensagens durante todos aqueles meses e só tomou coragem quando ficou solteiro de novo. Ele adora dar uma ênfase especial na minha crise de choro e até hoje me dá um beijo no topo da cabeça quando eu caio em lágrimas.

Tudo nele é apaixonante e eu não posso mais imaginar os meus dias longe daquele abraço. Me apaixonei pela gentileza, pelo bom humor no momento de tensão e pela calma. Me apaixonei pela simpatia, pela complacência e pelo senso de justiça. Me apaixonei pela barba, pelo perfume e pelo olhar que é capaz de sorrir. Me apaixonei pelo beijo, pela pegada firme e pelo charme irresistível. Me apaixonei quando ele me fez rir, amar e cantar. Quando ele me fez olhar para os detalhes, quando me surpreendeu, quando acariciou minha alma e quando me fez contemplar a beleza da vida. Me apaixonei até pelo mau gosto na escolha da música que tocava no carro, por rir enquanto eu estava tão nervosa e por recusar meu convite. Me apaixonei pela saudade que ele deixou, pelo horrível suéter que ele usava e pela cara de sono. Me apaixonei por tudo nele porque ele é ele, é encantador por si e não se esforça para isso. Me apaixonei por ele ter deixado o tempo passar para que as coisas acontecessem no momento certo, de maneira correta e sem pisar ou magoar outras pessoas. Me apaixonei por cada pedacinho, mas me apaixonei mesmo porque ele extrai o que existe de melhor em mim.

MONIKAJORDAO

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Monika Jordão