Como experimentar uma nova paixão se ainda encontro resquícios do sabor amargo de um término? Como desejar um novo carinho se as dores ainda fazem morada em meu corpo me lembrando todas as manhãs o quanto o seu desdém foi capaz de mudar a minha vida? Não escolhemos o que vamos sentir, e tão pouco de quem vamos gostar, e das armadilhas que a vida nos traz, a pior é aquele momento onde ficamos tentando nos equilibrar na linha tênue da louca vontade de se entregar, e a do medo de novamente se ferir, então buscamos deter alguns feelings de felicidade que vem em conta gotas a satisfazer nosso ego momentâneo e que na ausência é capaz de trazer a dura realidade de um amor não correspondido.
– Se entenda com seu coração, é ele quem faz todas as escolhas erradas ao invés da praticidade de um simples casual.
(Resmunga uma consciência pesada ao ver o coração novamente escolhendo o amor). – E depois que dá errado? Aí você para pensa, até jura que jamais voltara a amar. Mas no primeiro bom dia cria novamente a porra da expectativa, que vêm com um máster plus spoiler alert em vermelho dizendo:
-Perigo, alto risco de se apaixonar, e o feedback? Será solidão em um combo de descaso e frases feitas em uma quarta feira de verão.
Mas como fugir do que nos faz feliz pelo medo do que um dia machucou? Então na maioria das vezes deixamos passar e nos pegamos tendo um diálogo com aquele amor que um dia já causou tantos estragos:
– Não te quero mais aqui.
– Ok. Só vou tirar minhas coisas da casa.
– Não vai lutar por mim? Por nós?
– Não. Não mais, o seu desdém me ensinou que devo permanecer apenas enquanto existir a reciprocidade, dizer adeus dói, mas na maioria das vezes é necessário.
– Então vai escolher a saída mais fácil?
– Se eu precisar lutar para estar ao seu lado, significa que ali não é o meu lugar, eu não escolhi desistir fácil, pra mim tem outro nome: Sobrevivência. E apesar do fim, amor, eu escolhi sobreviver sem você.
E então voltamos para nosso mundo, e nos deparamos com uma casa abarrotada de sentimentos que gritam para se libertarem das garras do medo, e é nessa hora que desejamos encontrar essa pessoa, a que vem para roubar um sorriso enquanto estamos no serviço, ou invade nossos pensamentos sem pedir a menor licença, essa pessoa que nos deixa de pernas bambas, e fazem os dias ficarem mais cumpridos até aquele encontro. Desejamos por essa pessoa que nos faz questionar o porquê de ela não ter aparecido antes em nosso caminho, esperamos por aquela pessoa que não espera apenas por alguns beijos roubados, mas sim que também venha roubar nossos abraços, nossos carinhos, nossos dias cinzentos, e que não vão partir no primeiro amanhecer, logo depois de conhecerem a bagunça que é o nosso mundo.
E no fundo apenas esperamos por esse alguém que vem para dar aquele velho frio na barriga que nunca será um clichê bobo, esperamos por aquele alguém que não se importará com nossas feridas, inseguranças infundadas e tão pouco nosso caminhão de defeitos, mas que pela primeira vez vai nos olhar como nenhum outra já fez. Esperamos por esse alguém que deseje ficar em nossas vidas mesmo quando estivermos de pijama, despenteados e com aquele típico mal humor matinal. Tudo que esperamos é por ele, ou ela, que virá para dar um fim na dor. E que provará que a regra é básica: Tipo, se apega sim. Porque no fim meu amigo, todos só esperam por aquele que virá nos despertar mais do que alguns sentimentos, mas aquele que virá para nos fazer novamente acreditar no amor. Meu desejo é que essa pessoa exista, e ao cruzar minha vida ela não tenha medo de ficar, porque se ela estender a mão? Em seus braços é o único lugar que desejarei habitar.

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