25/09/2016

Viramos amor

Sim, ela sabia que algo havia mudado, novamente sentiu a respiração ofegante, mãos geladas e “as tais borboletas no estômago”. Outra vez ele havia chegado. E não era apenas a primavera que na porta batia, era algo mais barulhento, ensurdecedor, e não era o canto dos pássaros, o barulho dos trabalhadores, algo rugia, explodia e queria florescer, mas ela mais uma vez tapava os ouvidos, ligava o som mais alto que seus próprios pensamentos, e mesmo com tanto barulho algo ainda perturbava sua cabeça, eram vozes misturadas com melancolias e incertezas que a convidavam a ver o que estava diante dos seus olhos.

E então em silêncio total ela parou para refletir o que mais lhe perturbava, mas ela já sabia a resposta. E era a falta da voz dele que mais um dia ela não ouvira. Ela tinha medo de dizer em voz alta, mas o silêncio era semelhante a um pão seco entalado na garganta, ela queria voar, mas tinha medo da queda, queria os beijos dele, mas tinha medo do sabor das lágrimas, ela queria seu abraço, mas temia pelo frio que seria sua fiel companhia no momento que ele partisse. Já haviam passado por ali e roubado tudo o que ela tinha a oferecer, mas o que fazer com a certeza que ela já tinha em si? Mesmo negando, era ele, ele apareceu e deixou novamente bagunçado o mundo, a cabeça e mais uma vez o coração daquela menininha.

– Você sabe que se mais uma vez você permitir que ele entre, a desordem e o caos serão novamente parte da mobília né? Gritava a sua razão.
– Mas e se eu não permitir e depois mais um inverno rigoroso derrubar a porta e aqui fizer moradia?
-E existe inverno mais rigoroso do que aquele ingrato?
-Ingratidão não é a palavra que eu usaria para descreve-lo.
– Tolice é o que está escrito em sua face.
– E eu que achei que eram o olhar da tal da paixão que dá na gente uma vez cá outra lá.
– Eu já não te ensinei a não acreditar em todas as mentiras que contam por aí?
-E a lição agora deve ser?
– Fecha logo essa porta menina tola, ele que bata em outra freguesia.

A razão implorou, mas Catarina não obedeceu. Ela sabia que a necessidade dele crescia dentro dela, e o medo a alertava ferozmente vá com calma, ele ainda tem muito a querer por aí antes de querer só a ti. Mas ela lá ouvia a razão? Ela sabia que dessa vez não seria como das outras vezes, e que algo dentro dela ansiava para os encontros e reencontros, ela posava de durona, mas no fundo tudo que ela queria era um lugar em seu abraço.

Ela sabia que essa compulsão era apenas um começo de um gostar mais e mais. E ela lá ligava para os riscos estampados que até mesmo uma menina de 12 anos entenderia? Ela apenas mais uma vez se jogou, e quão grande foi a surpresa dela, porque no fim, ele a segurou. E finalmente ela se entregou aos braços de seu novo amor.

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