17/09/2016

Cúmplices

Ela colocou o melhor vestido. O cabelo esvoaçante, fazia um lindo contraste com seu sorriso. Aliás, sorriso esse que se enriqueceu com a cor que tirava o sossego dele: vermelho. A casa estava cheia, a noite agitada, era para ser só mais balada, não fosse sua petulância de sair mais linda que todos os outros dias.

O pancadão já tocava e ela só queria descer até o chão, sem estresse ou qualquer coisa do tipo. Rebolava e jogava os cabelos, rindo com as amigas, notou que ele estava do outro lado da pista. Era impossível que não notasse a felicidade que saltava dos seus olhos. A pele branca e sedosas sob o vestido preto com detalhes de renda no ombro, marcavam o momento que vivia.
Dizem que as roupas falam muito sobre as pessoas, naquela noite, o justo vestido preto falava exatamente à que tinha vindo. Pelos corredores próximos ao banheiro, se escutava o barulho do seu salto. Como um leão perseguindo sua presa, ele a seguiu e, ainda no corredor, lhe pegou pela cintura.

Linda, fina e elegante, como um bom vinho, desses que para apreciar é preciso sentir todos os detalhes, assim se portava naquela noite. Tudo porque ela é o tipo de mulher que você vai sempre se embebedar, querendo ou não.

– Ei, espera. Tá achando o que, hein?  Vai ficar de graça por aí mesmo?

– Mas meu amor, eu tô livre, solta na pista, tô aqui é pra me jogar na vida!

Já impaciente e lhe segurando pelos braços, queria tirá-la dali:
– Para de graça, porque se eu for para aquela pista, não adianta vir atrás. Mas ela sempre se considerou livre, leve e solta. Com ar de deboche, fez charme e logo disparou:
– Pode ir, mas quem é que que quando passa te deixa tonto? Quem é que só de provocar te deixa no ponto?

Ele ficou nervoso, mas foi incapaz de dizer qualquer coisa, quando ela se virou e com as costas à mostra, desceu a alça do vestido com apenas um dedo e continuou seu discurso:
– Pode ir, mas eu tô sozinha, tô livre, tô solta. Hoje eu quero curtir, quero zuar e quem sabe até vacilar. Mas aqui, pode ir. Só não esquece quem é que só de rebolar, te deixa ton…

Não conseguiu continuar a frase, foi interrompida por seu beijo ardente. Afoito, apesar de nervoso, ele tinha certeza de que essa, que fazia acontecia com sua mente e seu corpo, era ela e nenhuma outra.

– Eu não vou. Eu sei que está livre, mas essa noite vai ficar solta em meus braços. Eu sei que quer zuar, mas essa noite é por aqui que você vai vacilar.
Disparou lhe beijando ardentemente os lábios, como se fosse a primeira vez.

Seus olhos brilhavam, mordeu os lábios, sorriu e se virou para parede. Olhando de canto, disparou:
– Então, preparado pra zuar?

Ele sorriu e aquela conversa que começou em briga, encerrou ali mesmo, pelo banheiro. E apesar do som alto e da casa cheia, era como se o mundo tivesse parado do lado de fora. E quando ela parou em sua frente, somente de renda preta, lhe encarou olho no olho. Ele logo perguntou: – O que foi?

– Eu queria que soubesse que é tão bom me sentir mulher.

Ele sorriu e prontamente lhe respondeu:
– Eu queria que você soubesse, a minha melhor versão é sempre com você.

– Ok. Mas e aí? Não quer mais ir? Ela o indagou com sarcasmo.  Mas lhe pegando pela cintura, com um sorriso extravagante no rosto, lhe respondeu:
– Prefiro zuar!

E naquela noite entenderam que poderiam zuar, brincar ou cair na vida e, ainda assim, seriam cúmplices um nos braços do outro.

thamires

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