Dois anos de relacionamento feliz, uma traição e fim. Ela escutou todos os argumentos e explicações sem sentido que ele deu. Felipe falava, tentava se aproximar e Letícia se mantinha firme e decidida. Ele gritou, esbravejou e algumas lágrimas de crocodilo foram derramadas no sofá. Ele se desculpou, pediu perdão e fez juras de redenção. Só tem um problema, ela não acredita mais nele, nem mesmo em uma única palavra que sai daquela boca suja e mentirosa. E foi ele que deu à ela todos os motivos para a dúvida e descrédito. Foi ele, só ele.

– Não posso perdoar sua traição porque traição não é um erro, é uma escolha.

O coração de Letícia partiu em pequenos fragmentos quando ela ouviu a própria voz pronunciar essas palavras e Felipe a encarar sem reação. O silêncio se instalou violentamente e o ar ficou rarefeito. Os minutos seguintes foram vividos em câmera lenta. Ela podia ver o arrependimento no semblante dele e podia sentir a felicidade esvair do apartamento pela janela que ele deixou aberta. Ela ouviu a respiração dele diminuir o ritmo e os olhos perderem a cor e o brilho. Não havia mais nada a fazer, a batalha dele estava, definitivamente, perdida. Ele conhecia muito bem a mulher que amava tanto e sabia que ela jamais permitiria que sua vida fosse atrelada a uma farsa mal contada.

Ele acha que não queria ter feito o que fez, mas não queria mesmo? Ele sentiu-se atraído, respondeu as mensagens todas e levou a moça para um motel. Sentiu-se vitorioso, triunfante e conquistador. A proeza fez a pulsação urgir. Como não queria fazer o que fez? Ele podia ter encerrado a aventura ou nem ter dado início a ela. Ele era feliz. Podia ter ignorado os pedidos, fugido da tentação ou contado à Letícia que estava confuso. Ele tinha muitas opções que não seriam tão desleais e levianas. Ele sabia onde estava se metendo e tinha consciência das possíveis e graves consequências. Letícia era seu bálsamo, seu oásis, seu paraíso particular. “Era”, do verbo “ser” do pretérito imperfeito. Imperfeito. Não é mais.

Ele não foi honesto nem com os próprios sentimentos, teve a opção de fazer a coisa certa e fez a coisa errada. Foi egoísta ao priorizar os desejos sombrios e deixar a treva direcionar os passos o levou às profundezas do remorso. Dizimar o coração de quem se ama, por escolha, é um peso demasiado pesado para se carregar por uma vida inteira. Ele conduzirá as toneladas de pesar para um futuro que não pode ser previsto ou adivinhado. Não foi um erro, foi uma escolha. Ela? Vai sofrer, mas vai superar. Ele? Está acorrentado ao cárcere da escolha mal feita.

MONIKAJORDAO

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. Acho muito interessante os textos que vocês escrevem estão de parabéns.

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Monika Jordão