22 aninhos não se faz todo dia, não é mesmo? Era o aniversário dele, finalmente. A semana havia sido estressante e, para compensá-la, nada melhor do que uma festinha na sexta-feira.

Chamou alguns amigos, inclusive este que vos fala. Fomos para a night na zona sul, cara para dedéu, mas fazer o que? Era dia de celebrar e gastar.

O ambiente é que andava meio hostil para o flerte, ninguém muito interessado em beijar na boca ou se aventurar em lençóis nunca antes desbravados. De repente, ele saca cinquenta reais do bolso e fala para mim: “vai lá no bar e gasta tudo em cerveja”. Meus olhos brilharam, mas por pouco tempo. Logo veio a opacidade com a constatação de que, somando todos aqueles vinténs, dava para saborear apenas três garrafinhas long neck.

Na volta, vi que o menino havia se arranjado com outra amiga minha. Fiquei feliz por ele. Bebi minhas cervejas, ameacei uma ebriedade, mas acabei foi dormindo mesmo, no doce conforto do meu lar. E, aqui, minha participação na história se encerra.

Os dois estavam se beijando com uma química intensa, chamando até a atenção das outras pessoas da festa. Para evitar o olho gordo, decidiram pernoitar na casa da menina, pelo Leblon. Nessa época não existia Uber, então tiveram que morrer numa graninha no táxi mesmo.

Uma pequena análise social agora. Ele era classe média, ela classe alta. Ele ficou claramente nervoso quando adentrou em seu palácio e viu aquela casa hightech, cheia de botões, prateleiras que se movem e televisões que mais pareciam cinemas. Pode parecer bobagem, mas, na hora, o mais humilde tende a ficar pressionado.

A pressão não tardou a aparecer. Nervoso, ele a despiu e, encantado com seu corpo, fracassou. Sim, não subiu. Quedou-se mole, estático, morto, sem vida. Nem a respiração boca a boca deu jeito. Sem graça, a menina tentou acalmá-lo, disse que não havia problema e lhe deu um abraço. Os dois adormeceram, mas não por muito tempo, pois os pais chegaram de viagem de surpresa e ele teve que escafeder-se para o olho da rua.

Ficou marcado, magoado, enraivecido. Jurou para si mesmo que, não importava quando e como, iria recompensá-la tantas vezes fosse necessário, até que ela dissesse as doces palavras: “foi a melhor f… da minha vida”.

Menos por paixão e mais por obstinação, meu amigo voltou a vê-la repetidas vezes. Hoje, estão namorando e se amam, muito. E a moral da história é clara e cristalina: há beleza no fracasso.

cassar

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Gabriel Cassar