A gente se conheceu em um esbarrão. Esbarrão do destino, costumava dizer. Eu corria atrasada para pegar o ônibus e ele, segundo diz, estava todo concentrado lendo uns papéis importantes demais enquanto caminhava. A gente se trombou. Eu caí. Papéis voaram. A gente se olhou. 

Eu sabia que era amor. Ali. Assim. Simples e rápido. Nunca tinha visto olhos tão castanhos em toda a minha vida. Já tinha visto alguns sorrisos parecidos, mas o dele era mais pro lado direito. Como se o lado esquerdo tivesse que pedir licença pra sorrir junto. Que dia.

Fração de segundos. Corri pra pegar o ônibus e nem me dei ao trabalho de ajudar a juntar os papéis. Tinha prova na faculdade e não tinha estudado tanto pra perder essa prova que era a última. Sim. A última. O amor podia esperar minha última prova, não é?

Vou resumir uma parte: Fiz a prova, passei, me formei em Cinema, comecei a trabalhar, não pegava mais ônibus, não via mais olhos castanhos, namorei dois caras em cinco anos, mudei de emprego, fui comemorar aniversário em um bar. Derrubaram cerveja em mim. Num esbarrão.

O lado esquerdo continuava pedindo licença pra sorrir. Agora, mais escondido pela barba ao seu redor e os olhos… Continuavam os únicos castanhos que eu conheci um dia. Um dia mesmo. Literalmente.

– Seis anos depois e você continua atrasada?

– Sem atraso. Cheguei na hora certa.

Agora ele me ama e esse é só um esbarrão do destino.

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Isabella Gonçalves