Quando pesquisamos a palavra “educação” no dicionário, entre tantos significados, encontramos “Civilidade; conhecimento e prática dos hábitos sociais; boas maneiras. Delicadeza; expressão de gentileza, sutileza. Cortesia; amabilidade e polidez na maneira com que se trata alguém.”, e nada mais reconfortante do que conversar com uma pessoa que sabe manter o nível do respeito e da polidez, ser atendido nos estabelecimentos por pessoas gentis, se deparar com alguém cortês. Mas será que nós temos colocado tudo isso em prática? Como está a nossa realidade?

   Sabe leitor, o que eu mais tenho visto por aí, são pessoas extremamente grossas, que pouco se importam com a maneira com que tratam o outro, não filtram as palavras que usam, e botam a culpa no temperamento. Mas será que a culpa é mesmo dele? Todo temperamento é moldável… Basta que haja o elemento “vontade” na equação. Conheço pessoas extremamente tímidas, que venceram a timidez; Pessoas ansiosas, que descobriram como controlar o sofrimento antecipado relacionado a eventos futuros; Pessoas extremamente ríspidas, que aprenderam a filtrar as suas palavras e medir o tom de sua voz. Todos eles quiseram mudar, melhorar algumas coisas que impediam a boa convivência. Os extremamente tímidos, porque não conseguiam conversar com ninguém e mantinham sinais corporais de que não gostariam de qualquer aproximação; Os ansiosos, porque não conseguiam viver o presente, sofriam tanto com o futuro, que perdiam momentos preciosos com pessoas que amavam; E os ríspidos, porque perceberam o quanto a sua rispidez se assemelhava ao fel, e afastava mesmo as pessoas que mais os amavam, porque as suas palavras sempre vinham carregadas de um terrível sabor amargo que provocava arrepios e tristeza… Palavras cheias de dureza, que se pareciam tanto com socos na face ou na boca do estômago, que assustavam qualquer um. E por que é que a gente não deseja melhorar também?

   Não é opressa a atitude de manter a boa educação, mas revela respeito com o próximo, e o apresso pela boa convivência. A grosseria desgasta qualquer relacionamento no dia-a-dia, inclusive os profissionais. A grosseria com um desconhecido que nada fez de errado, revela a empáfia da alma. E mesmo que o outro tenha feito algo de errado, será que é realmente necessário faltar com educação, com decoro? E mesmo que as suas palavras não sejam duras, se o teu tom de voz for duro demais, causará o mesmo efeito. Ofensas demais, respeito de menos. Nós modernizamos tanta coisa, que o fizemos também com o que não era necessário modernizar… Talvez uma simples adequação, já bastasse.

   “Se o meu pai me diz que uma roupa é muito curta, ele não está cuidando de mim, mas é um homem extremamente machista e opressor, que não permite que eu me expresse, e eu devo colocá-lo no seu devido lugar e desobedecê-lo. Se a minha amiga me perguntou algo que, para mim, é “idiota”, eu devo ter “tolerância zero”, e evidenciar a minha opinião com uma resposta bem “tosca”, e quem sabe até chamá-la de idiota, para ela entender que esse tipo de pergunta não se faz. Se o meu chefe falou algo incorretamente, então eu devo corrigi-lo no meio de uma reunião, para ele entender que isso não se diz na posição em que ele ocupa, para mostrar que eu sei mais. “Por favor” pra quê, se eu estou mandando? “Obrigada(o)” por quê, se ele não fez mais que a obrigação? “Parabéns” por que motivo, se já era algo que se esperava? “Desculpe” por quê, se eu estou com a razão? “Desculpe” por quê, se o errado é o outro? E vai pro meio do inferno, também! Vai pra “pqp”, você que me cortou no trânsito. Vai tomar naquele lugar, você, que fez uma coisa que eu não gostei. Não vai me deixar sair hoje, mãe? Vai tomar naquele lugar você também! Vou usar tom incisivo o tempo todo sim, vou usar tom duro também, e vai se ferrar se você não gostar! E eu vou falar de sexo o tempo todo também, na frente de quem quer que seja. Se constrangeu? Compra um vibrador que passa. Arruma alguém pra satisfazer direito, porque é disso que você precisa: uma boa dose de sexo que dure a noite inteira! Eu vou falar o que eu quiser, quando eu quiser, do jeito que eu quiser. Eu vou gritar, sim! E que se dane você!”  Assustador, não? Isso adoece emocionalmente as pessoas ao redor. Mas os pensamentos são esses, totalmente vestidos de um egoísmo avassalador, que se esquece que tudo aquilo que vai, volta. E o problema é esse: quando volta. A revolta é tão avassaladora quanto o egoísmo inicial. A mágoa também… Aí “o outro poderia ter sido mais educado. Não precisava ter dito aquilo, daquele jeito, naquele momento.” Mas a vida é um moinho, meu bem. Uma roda gigante. Se o outro não pode fazer com você, porque é que você faz com o outro? Não beira à irracionalidade?

  Precisamos falar sobre a educação, sobre a maneira de tratar com o outro, porque nos lembramos muito das nossas fragilidades, e deixamos que a fragilidade do outro se exploda. Precisamos falar sobre a educação, porque as nossas palavras, a nossa postura e o nosso tom de voz, têm desgastado a convivência. Precisamos falar sobre a educação, porque a palavra dura só faz o furor aumentar e a decepção se aflorar. Precisamos falar sobre manter os bons modos, aqueles que mantém as relações saudáveis. Precisamos falar sobre a educação, porque é difícil lidar com os problemas do dia-a-dia com pessoas gentis, e impossível, com pessoas ríspidas, nada gentis, sem nenhuma polidez ou amabilidade, da cortesia desconhecida nos gestos, pensamentos, posturas e palavras. Precisamos falar sobre a educação, pois temperamento e autenticidade não devem ser desculpa para tratar o outro de forma tão rude. Precisamos falar sobre a educação, e parar com essa estupidez de dizer, em discursos por aí, que o outro que se exploda, que o outro que seja mais inteligente, que o outro que tenha uma bela noite de sexo, que o outro nem fale comigo. Precisamos falar sobre a educação, porque ela de nada tem a ver com ser bobo, deixar que os outros se aproveitem da nossa bondade, mas ela tem a ver com não constranger o outro, não assustar, afrontar ou intimidar ninguém, mas fazer com que todos fiquem bem com a nossa presença, e não se ofendam com as nossas palavras, a nossa postura, o nosso tom de voz, e muito menos com o nosso olhar, que grita tanto quanto se pode imaginar. Não adianta estampar “mais amor, por favor” na testa, nas roupas e na foto de capa do Facebook, se as suas atitudes são como um discurso de ódio e empáfia.

   Seja educado, pare de jogar tanto lixo emocional por aí. Boas maneiras não custam nada, e ainda podem salvar o teu dia e os teus relacionamentos. Repensar é gratuito, e pode gerar, através de você, uma corrente de amor e atitudes boas.

debora

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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