Minha amada,

Não posso ir embora para sempre sem, antes, me despedir de você. Foram tantos anos juntos. Estive sempre tão presente na sua vida que não consigo imaginar como será após minha partida definitiva. Preciso dizer tudo que tenho engasgado aqui, tudo que me fez desistir de você assim, tão radicalmente. Estou abandonando você porque sei que sempre te fiz mal. Muito mal. Minhas intenções eram boas, eu queria te proteger. Te guardar de qualquer mazela ou dor que o mundo pudesse lhe causar. Cuidar de você sempre foi minha prioridade e fui cego ao não perceber que, na verdade, eu te impedia de lutar.

Você, linda, sempre se escondeu atrás dos meus braços e, mesmo aos prantos, sabia que ali estaria acolhida, mas com o tempo as coisas mudaram. Com o passar dos anos você descobriu que eu não era assim, tão imprescindível. Descobriu novas experiências, novos amores, novas sensações e aos poucos foi me afastando de você. Por vezes me revoltei com sua distância e lhe questionei com violência. Você ponderava meus argumentos e súplicas e sempre me deixava voltar, mas logo se afastava novamente. Essa batalha para permanecer no seu coração foi ficando difícil e desgastante.

Você não se importa mais comigo. Eu cansei. Cansei de nadar contra a sua coragem. Já não sou mais tão forte. Você me superou. Não me deixa mais participar das suas decisões, não me permite fazer visitas, não escuta mais meus gritos e menos ainda meus sussurros. Sei que faz de propósito, que quer que eu entenda, de uma vez por todas, que você não me quer mais. Dói, mas é bom saber que você me derrotou depois de tanto apanhar. Eu nunca lhe feri diretamente, mas te impedi de viver o que o universo lhe reservava. Isso lhe fez sangrar. Perdão.

Estou partindo da sua vida depois de partir, tantas vezes, o seu coração. Agora você pode jogar minhas correntes fora, está livre. Pode me apagar, me esquecer e pensar que eu realmente já não existo mais em você. Sei que você ainda vai pensar em mim e se lembrará de tudo que eu lhe disse um dia, mas não deixe que essas lembranças impeçam você de viver plena e ser feliz. Você merece. Me perdoe por toda dor e frustração. Te quero bem, sempre quis.

Agora é hora de ir, não quero mais rivalizar com sua doçura, seja feliz!

Ass: Seu medo

MONIKAJORDAO

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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