Não vou ficar me tolindo e deixando de fazer o que eu quero, ou falar o que quero, com quem eu quero, por causa de regras e convenções sociais. A vida é muito mais que todas essas etiquetas ultrapassadas que inventaram para nos afastar.

A gente se priva e coloca obstáculos por quê tem medo. Medo do envolvimento, medo da dúvida, medo do amor. E se esconde por detrás dessas desculpas, escudos, saídas para não se envolver. A gente se afasta por conveniência, a gente se larga por distração.

Eu não quero isso, não nasci pra isso. Eu quero a liberdade para ir onde quiser, ser pássaro de mim, decidir o que quero fazer e com quem fazer, do meu jeito. Quero viver sem dar explicações, sem ter medo de um dar bom dia logo após a noite de sexo,ou de dizer que aquela música me lembra alguém. Sem culpa, sem julgamentos. Porque talvez eu seja mais coração, do que mente.

É tão fácil falar, mas é tão raro falar. O mundo inteiro precisa de coragens. As pessoas ainda precisam quebrar as barreiras que as impedem de ser feliz. Se ligar te faz feliz, ligue! Se chorar te liberta, chore! Se o sexo é sua vontade, faça! Se sente um carinho por alguém, diga!

Se o outro não se importar com isso, o problema é de responsabilidade dele. Talvez até, nem seja um problema, pois pessoas podem e devem ser livres, pra sentir afeto ou pra não sentir nada. O importante é que a sua parte você fez: Não se privou de fazer algo que queria por medo.

Crescemos com a ideia de que quem sente mais é um perdedor e quem não demonstra nada, é racional, maduro, é forte. Só que todo mundo sente, nem que seja raiva ou rancor, todo mundo tem um pouco de desequilíbrio emocional. Escancarado, ou contido.

Afinal, quem ganha? Quem perde?

Eu não quero usar essa estabilidade sentimental para viver. Mais do que apenas sobreviver, quero adaptar-me ao mundo do meu modo, e viver bem com o fato de ser quem eu sou. Ousar. Sentir. Falar. Porque se a gente para pra pensar: Sentir é lindo! Mas falar o que sente, é libertador.

Nós somos todos janelas, cada um de nós ocupando espaço nas paredes estagnadas do tempo. Cabe a liberdade. Se não pudermos sair, que pelo menos a gente saiba se abrir pro mundo. Porque a gente tem medo, pela incapacidade de lidar com as frustrações, porque no mundo de tecnologias em que a gente vive, acabamos por nos preocupar apenas com o modo em que somos vistos, curtidos, comentados, julgados. Somos janelas trancadas por cadeados enormes.

De medos. Medos. Medos.

E acaba que realmente, a gente não se interessa em abrir uma janela e ficar nela pra ver o pôr do sol, a gente quer abrir todas elas e escolher onde a vista é mais bonita e ainda assim quando escolhe, tem medo de ficar nela e acabar se molhando, com uma chuva que nem se sabe se vem. E acaba que se fecha, se fecha em si mesmo.

Não quero viver um equilíbrio entre o que sou e o que o mundo espera de mim. Quero a homeostase, as doses desiguais de liberdade e opinião, medidas de afeto e sinceridade, porções de impulso e privação.

A vida é urgente e o que passa se perde no buraco negro das coisas que queríamos fazer e deixamos pra lá. O tempo é emergente e as nossas prioridades são aquelas que por algum motivo, fincaram melhor, no nosso universo da julgolândia.

Equilíbrio dinâmico, é a palavra. Tudo que é metade cheio e metade vazio, não se adapta quando existe uma falta. E nós vivemos de faltas, todos os dias mais uma. Somos um perfeito caos.

Camila

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Participe da conversa! 2 comentários

  1. Concordo plenamente com a liberdade mas discordo de ser um caos.

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  2. AMEI ❤ ❤ ❤

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Camila Oliveira