Hoje é um dia chuvoso, frio porém gostoso. A temperatura está, em minha opinião, deliciosa. É mais um dia qualquer, sabe? Daqueles em que fico sozinha em casa, bebo meu café bem quente, observo o céu cinza que reflete no meu rosto em tons nada alegres. Mais um dia que, eu, uma mera humana, não faço nada além do meu dever de viver. Mais um dia normal que, bem, ele não sabe que eu o amo.

Isso nunca me incomodou. Nunca tive problemas quando o assunto era amar. Na verdade, amar, para mim, era tarefa fácil. Nunca me apaixonava então nunca tive muito com o que me preocupar. Apegar-me a alguém? Ah, rapaz, nunca. Nunca precisei de homem pra me fazer feliz, afinal, eu por mim me basto. Ou melhor… me bastava.

Agora é parcialmente diferente. Eu continuo não precisando de homem algum pra me fazer feliz a diferença é que, agora, bem, agora eu quero. E eu não quero alguém, eu quero ele. Com aquele sorriso no rosto, aquelas mãos de toque leve, aquele cabelo bagunçado, aqueles defeitos que eu não me importo de conviver com. Eu quero ele.

O mais engraçado disso é que ele não faz ideia disso. Se duvidar, ele nem sabe que existo. Se ele chegasse para mim e dissesse “eu não sei teu nome mas vamos casar?” eu choraria de felicidade e diria “sim!”. Ele pode não me conhecer, pode não saber meu sobrenome ou signo, mas eu o conheço. E como. Sei do nome ao horário de nascimento, da cor favorita ao número do pé, do nome do cachorro ao mapa astral. Eu sei tudo, tudo. Eu o amo e não é à toa, eu o amo porque o conheço e se ao menos ele me conhecesse… Se ao menos nada, nunca poderíamos nos envolver, sabe por que? Porque, para ele, eu não existo.

Ultimamente eu apenas observo. Fico assistindo ele segurar outras mãos, beijar outras bocas, abraças outros corpos e isso não me dói em nada. Ele parece feliz. Ele não só parece como está feliz. Diz àquelas meninas todas que ele as ama, dá flores, chocolates, leva pra jantar no fondue do centro e todas caem aos seus pés. Eu nem ligo. Elas não o conhecem de verdade, como eu sei disso? Porque elas acham que são únicas e quando descobrem que não são, apenas partem. Já eu, eu sei que não sou única e mesmo assim continuo aqui.

bobsin

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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