Jogar a toalha, seguir novos caminhos, cantar: “-Eu não to nem aí”, encher as redes sociais com momentos registrados em “Tags” ou fotos com um Check-in meramente mascarado pela dura realidade de um doloroso término. Esse é o lado que todos conhecem, e a pessoa que sofre todo esse sentimento gritante em seus poros merece muito mais que uma felicidade de comercial de margarina que dura apenas até a próxima atualização de nossa “Timiline”. Peço um segundo de sua atenção porque eu não sou o personagem principal, tão pouco o mocinho que teve seu coração dilacerado e depois de alguns porres, novos sabores e com alguns meses ouvindo Celine Dion deu a volta por cima e olhou com desdém ao cruzar com o tirano que outrora feriu os seus sentimentos. Sinto lhes informar, mas eu sou culpado, eu sou aquele que feriu, dilacerou e roubou a vitalidade do sentimento mais sublimes que uma hora ou outra é chamado de amor. -Por favor garçom, sirva-me mais uma dose desse conhaque antes que eu possa continuar com a minha história. De cara já coloco todas as cartas na mesa e confesso-me como réu, eu errei, e errei pra caralho, não mereço sentença branda e tão pouco absolvição, maltratei a quem me deu amor, e ofereci em troca apenas a ilusão. No começo é tudo avassalador, a paixão inebria e nos torna irracionais, nos jogamos, planejamos e nos entregamos como se não houvesse o amanhã, mas ele sempre chega, e com os juros e todas as correções monetárias batendo a nossa porta na primeira hora do dia, e quando realmente caímos em si? O remediável, irremediável está. Não existe: “Me perdoe”, suficiente para que o outro entenda o nosso momento de fraqueza, tudo que ele faz é esbravejar e nos devolver o peso da dor que nós mesmos semeamos. – Poxa mas errar é humano. Nobre justificativa, mas não o suficiente para se ter os momentos que por mera vaidade jogamos ao vento. De repente tudo o que mais cobiço é o afago de seu abraço com o calor do seu corpo e o sabor de seus beijos. – Espere um momento, mas eu já não tinha tudo isso? Repito a pergunta como se eu desconhecesse a resposta, o garçom inquieto finge demência e apenas me oferece outra dose. -Mas é claro que aceito, ou melhor, deixe logo a garrafa, a noite é longa e não tenho mais quem me espera ao voltar para casa. A próxima talagada me parece áspera de tal forma que desce queimando minha garganta, ardor que assemelho com a decepção em seus olhos ao saber de meu erro. Eu não posso voltar no tempo, e tão pouco poupar-lhe a dor, embriagar-me e gritar a quem quiser ouvir sobre a minha culpa está de longe o mais digno que posso tirar de minhas últimas ações, queria poder trombar contigo em um desses encontros casuais, e encontrar em seus olhos um resquício daquele meu amor, aquele que eu joguei fora por achar que não me faria falta, há se você soubesse o tamanho da falta que me faz. Não é à toa que me encontro no mesmo bar onde nos conhecêssemos, você nunca foi disso de olho no olho, dizia que era lá que guardava toda a sua identidade, enquanto eu ansiava em decifrar-te, você pedia mais um Martine, sorria delicadamente e fitava o balcão, e ao lhe indagar se eu poderia lhe oferecer algo a mais, você apenas me respondia educadamente que já estava na hora de ir para casa e que já havia chamado um táxi. Desapontado eu me perdia no doce de seu perfume, e carregava naquele momento comigo a certeza que você havia roubado meus pensamentos, e desde então eu voltava ali em uma dessas sextas-feiras esperando por um novo encontro ou simples esbarrão. Hoje minha companhia é um copo já findado, um garçom louco para encerrar o expediente, e mais uma vez você não apareceu. Eu sei, eu sei, simplesmente sei, o erro foi exclusivamente meu.

PS: Apenas gostaria que soubesse que ainda sinto sua falta. (Bilhete deixado em um guardanapo desses de balcão endereçado a pessoa a quem eu machuquei o coração).

re

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  1. […] O outro lado do amor, aquele que ninguém nos conta […]

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