15/07/2016

O meu quarto

Eu queria que tudo estivesse bem comigo, porque talvez estaria bem com as pessoas. Mas acontece que estou uma bagunça que não sei como arrumar. A vida inteira tá uma bagunça! E isso se reflete nas minhas relações, na minha angústia pessoal e principalmente no meu quarto. É incrível, toda vez que você entrar no meu quarto e perceber que ele está uma desordem, saiba: eu não estarei bem! Talvez esse seja o motivo real para eu odiar bagunça, porque ela diz muito sobre mim. Ainda que eu tente manter tudo nos conformes sempre, como se mantendo o quarto arrumado, pudesse manter a vida. É tudo tão difícil. Minhas relações não se ajeitam como a pilha de livros da estante… Que eu não li, que eu comecei e não terminei, que eu me desinteressei, que eu gostei tanto que queria ter escrito… Minha pilha de livros, que vez ou outra desaba, e eu preciso de muito mais do que coragem pra colocar tudo no lugar. Minhas metas não são como minhas roupas, que surgem dobradas e alinhadas nas gavetas e milimetricamente passadas na cruzeta do armário… Os meus sonhos talvez estejam como o meu espelho agora, embaçados demais para me mostrar todas as imperfeições do meu rosto, da minha vida… Minha cama me abriga durante os choros, as paranoias e os dias desperdiçados em cima dela com uma série qualquer que me faz esquecer da minha vida e me faz viver os problemas dos personagens. Séries me prendem, me isolam, me fazem cancelar os compromissos do dia, porque talvez seja melhor passar o dia inteiro vegetando, do que realmente existir. Talvez por isso o meu quarto seja tao aconchegante. Ele esconde os mistérios de quem sou e aprisiona os anseios de quem quero ser. Meu quarto diz muito sobre a inteira confusão que eu sou. Se as paredes falassem, contariam cada minuto de angústia e dor que aqui vivi, contariam cada décimo do sorriso que eu dei porque você riu daquela piada que nem era tão engraçada assim, mas riu pra me fazer feliz… Se elas realmente falassem diriam pra todos vocês o quanto sou fraca e inútil, o quanto sou nada por trás dessa capa que uso para me esconder. É tudo tão doído e o meu quarto talvez seja realmente a melhor parte de mim, a parte que me cuida e me permite falhar, a parte que espera ficar tudo bem e me dá o tempo para colocar os sapatos no lugar e tirar a poeira que se acumulou no criado-mudo, recolher os copos e as caixas de pizza. O meu quarto é quem sou de verdade. E ele guarda também todo o meu desejo de ser uma pessoa melhor.

Camila

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Camila Oliveira