08/07/2016

Uma noite

Ele preparou um jantar à luz de velas. Estavam sentados à beira da janela. A vista era linda e lá fora as estrelas e a lua enfeitavam o céu. O cenário era digno de Hollywood e parecia completar o quadro de amor que pintariam naquela noite.

Na verdade, ela estava encantada, mas havia ido preparada para acabar tudo e colocar fim na história, mas ele fez tudo certo. Ele abriu a porta do carro, ele preparou o jantar, ele tomou o cuidado de fazer sua sobremesa favorita. Ele não a contrariou em nenhum momento e deixou com que escolhesse a bebida. Ele fez tudo de caso pensado, tratou de usar aquela blusa que ela tanto gostava. Imaginem vocês, lhe deu um cartão com rosas vermelhas e chocolates. Pasmem-se todos, no cartão ele relembrou a data e o local onde se conheceram.

Ela ficou encantada pela segunda vez na noite. Sorriu e ele foi direto nas palavras:
– Se esse sorriso for só meu, eu sou o cara que tem mais sorte no mundo.

Ela não se conteve e indagou:
-Como está romântico. O que foi que eu perdi?

E ali, naquele cenário épico, que em nenhum lugar se repetiria, ele tocou em seus lábios vermelhos, a cor que lhe tirava o equilíbrio e a beijou.  Não foi um beijo qualquer, ele notou o brilho em seus olhos e sabia que mesmo estando magoada e que mesmo estando disposta a colocar fim em tudo, podia queimá-la em seu fogo novamente.

Foi um beijo de redenção, de fogo, de paixão, de quem só saiu pra jantar e quis ficar para o café.  Seus cabelos já estavam entre as suas mãos, quando ela perguntou mais uma vez:
– Como foi? Como é isso?  Por que isso tudo?

Ele respirou fundo e passando a mão em seu rosto, quase que angelical disparou:
– Amanhã, quando você acordar e lembrar disso aqui, vai lembrar que só saímos para jantar, mas o amor quis mais.

Tinha um sorriso de orelha a orelha em seu rosto com essa reposta. E quem olhava não entendia, como ela ainda podia acreditar naquilo tudo. Enquanto ele a olhava de lingerie preta sob a luz do luar e não conseguia imaginar outra coisa que o fascinasse mais do que observá-la. Estava de costas quando se virou e com ternura no olhar, lhe beijou a testa e acariciou lhe o peito.

E a sintonia com que se amavam, se tocavam e se beijavam era capaz de reduzir a pó, qualquer intriga, confusão ou indício de desilusão. Naquele momento ele a tomou em seus braços e disparou:
– Não é uma questão de ser romântico, mas é que fecho os olhos e te imagino nua, te imagino minha.

Ela sorriu, porque entendeu a dinâmica do que ninguém entendia:
– É que a gente só saiu pra jantar e quis ficar para o café, certo?
Ele observou o brilho em seus olhos e a lua tomava completamente o quarto, quando ele compreendeu que pela terceira vez havia lhe encantado naquela noite.

E como tudo combinava, o próprio cenário denunciara que aquela era a noite dos amantes. E que assim como toda paixão, lugar algum nesse mundo fora capaz de destruir. Se o amor é um sentimento sublime, a paixão é o sentimento caótico. E apesar de todos os pesares, ainda configura a lista dos sentimentos mais bonitos a serem vivenciados. Talvez tudo não pareça cena de novela ou conto de carochinha, mas o que viveu ao lado dela em uma noite, não viveria em 30 anos preso em um amor qualquer.  Foi assim, que sol e lua se renderam e se apaixonaram em uma noite.

E não tem choro de saudade, porque uma noite, será sempre uma noite!

thamires

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