Relembrando velhas amizades

Eles se conheciam desde os 12 anos. Haviam estudado juntos e formavam um belo trio. Ele, ela e Beto, que hoje vive em Londres e para onde eles viajam agora para fazer um reencontro emocionante. Eles pegaram um voo direto e levaria 10 horas até aterrissarem nas terras da Rainha. Era tempo de sobra para conversarem e relembrarem os velhos tempos.

– Quanto tempo faz que você não vê o Beto? – Ela perguntou.

– Nossa! Faz muito tempo. Acho que já perdi as contas. – Disse ele. Beto era um de seus melhores amigos no passado. Aliás, até então. A distância física não tinha enfraquecido a amizade dos dois.

– Eu também. Tô morrendo de saudade dele. – Disse ela, saudosa. Apenas de toda tecnologia ela sentia falta do abraço do velho amigo.

Não demoraria muito tempo, já viajavam há sete horas. Mais três e estariam em terra firme para verem seu amigo novamente.

– Será que ele mudou muito? – Ele não acreditava que sim, mas queria ter ideia do que ela pensava.

– Pelo que vi nas fotos ele engordou – Ela disse rindo – Mas nem posso falar nada, também engordei. A gente era tão magrinhos naquela época, né?

– Hora, quem não era? Bons tempos. Só estudávamos e dormíamos. – Ele riu.

– Tenho saudade dessa falta de responsabilidade. Nossa única preocupação era a prova da professora Vilma. – Ela lembrou.

– Sim!!! Nossa! Vilma, de matemática, Jesus. Achei que nunca me livraria dela! – Ele disse

– Ela já deve ter morrido, aquela praga. – Ela disse aos risos – A gente se reunia na sua casa pra estudar pra prova dela e lembro dos lanches que sua mãe fazia.

– O melhor misto quente que se podia fazer em casa com uns poucos trocados, como mamãe dizia. – E riram por muito tempo.

Eles eram como irmãos, mas ela nunca imaginaria que um dia ele quis mais do que isso. Não seria hoje que ele falaria. Hoje, só o Beto importava. Mais um pouco e estariam juntos. Lembraram de quando ela fugiu para casa dele. E de quantas vezes ela tentou ensinar matemática pra ele.

– Nossa, já te disse mil vezes. Faz assim. – Ela repetiu como se tivessem voltado no tempo.

Era engraçado, parecia que o tempo não havia passado para eles. Lembram de como ajudaram Beto com ciências, com a primeira namorada e de como era bom rir os três juntos.

– Mal posso acreditar que poderemos viver tudo de novo – Ele disse.

– Não vai ser a mesma coisa, a gente cresceu. – Lamentou ela – Não vai ter manga no pé, Mamonas Assassinas tocando e nem o misto da sua mãe.

– Bom, nem tudo está perdido – Disse ele mostrando Mamonas Assassinas no celular.

– Você é demais, sempre pensa nos detalhes. Você sempre foi assim. – Disse ela quanto abraçava o amigo.

O abraço era reconfortante. Trazia um pouco do presente e do passado. Pelos dois não sairiam dali até que uma voz os interrompeu “Senhoras e senhores, iniciamos nosso procedimento de aterrissagem”. Se entre olharam por alguns instantes, sorriram e afivelaram seus cintos, como pedia o comandante.

– Agora falta pouco – Ele disse.

Ela sentiu algumas lágrimas brotarem nos olhos. Ele e Beto eram os melhores amigos que teve na vida e poder reuni-los depois de tanto tempo estava deixando a garota emocionada.

Quando desembarcaram puderam ver seu velho amigo os esperando com uma plaquinha onde se lia: “Bobão e Bobona”. Era assim que Beto os chamava quando ainda eram crianças.

Era bom ver como o tempo havia passado, mas a amizade não. Ainda se conheciam por velhos apelidos, manias e hábitos.

O abraço triplo durou uma eternidade e chorando os três cantaram em uníssono:

– Quanta geeeente… Quanta alegriiiiaaaaa….

MONIKAJORDAO   hugo

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