Eu sentia falta, mas me acostumei a preencher essa falta com a renovação. Na verdade, fui acostumado, pois minha vida é recheada de mudanças. Um alerta: não crie laços afetivos comigo, sentirá saudade quando eu tomar mais uma direção! Não tenho um único cais. Eu já estou acostumado. Não que eu seja insensível ao partir, sem me importar com quem está ficando, somente consigo me desapegar fácil. 

Nos primeiros anos foi difícil ter que se distanciar das pessoas mais especiais que estavam em meu caminho. As partidas traziam para mim vários recados, mensagens imensas recheadas com sentimentos. Em datas especiais o comprimento da mensagem aumentava. Mas a cada ano a distância deixava cair uma linha até sobrar poucas palavras. E depois, nada mais. 

Eu não sabia lidar com mudanças – de todos os tipos. Depois me acostumei, como falei. É necessário. E consequentemente esse costume veio rondar minha vida amorosa – que vida amorosa? Um dia perguntei para uma pessoa especial por que eu não conseguia me apaixonar por ninguém, eu até tenho vontade, mas os beijos continuam como objetos de apreciação. Sabe, quando você é especialista em experimentar vinhos? É semelhante a isso. Há quem tenha um apego por um vinho específico. Mas eu … ainda não achei minha melhor degustação. Pois é, a resposta desta pessoa foi bem desafiadora: “No fundo você não quer se apaixonar!”

Comecei a revirar meus pensamentos mais intrínsecos na busca por esse bloqueio que não me permite envolvimentos amorosos. Ainda não achei. Deve estar bem escondido, pois a vontade é de viver um amor. Mas os laços criados são tênues, não suportam o peso do desapego. É, talvez seja isso: o costume do desapego realmente preencheu grande parte das minhas emoções. Assim, continuo navegando com meu barquinho, aportando em portos bonitos – outros nem tanto. Mas sempre seguindo viagem, depois de ver que mais uma vez minhas buscas não passaram de desejos; que ao terceiro beijo perde a graça. Perde a graça entre os pensamentos comparativos de outros portos. 

Continuo viajante, na mudança de lugares e paixões até encostar-me em um cais que me prenda a ponto de não haver mais vontade de navegar outros mares. 

 

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  1. “… Mas sempre seguindo viagem, depois de ver que mais uma vez minhas buscas não passaram de desejos; que ao terceiro beijo perde a graça. Perde a graça entre os pensamentos comparativos de outros portos.

    Continuo viajante, na mudança de lugares e paixões até encostar-me em um cais que me prenda a ponto de não haver mais vontade de navegar outros mares.”

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Jhonata Santos