Quem sou eu pra falar de estar solteira, não é mesmo? Pois bem, eu sou – pelo menos por enquanto – tua amiga, confidente, irmã e mãe. Eu sei que para uma relação funcionar há de existir confiança então que tu saibas que tu podes contar tudo para mim que de mim ninguém irá conseguir nada.

Muitas coisas tu não precisas dar-te ao trabalho de me contar. Como por exemplo: eu sei que teu namoro não está as mil maravilhas como tu queres provar que está. Como eu sei disso? Ah, amiga, quando tu ouves o hino nacional tocando, não é como se tu conhecesse essa música de vidas passadas? Pois é. De namoro eu entendo, de problemas mais ainda.

Não quero arrancar-te satisfações, motivos, explicações ou compreensões, a não ser que tu queiras falar. Embora não te obrigue a falar, sei que as vezes tudo o que precisamos é admitir certas coisas em voz alta, não custa tentar.

Já passei por poucas e boas, sei bem quando alguém tem medo de ficar sozinha. Não adianta querer me contradizer, tu sabes que no fundo, o que te prendes a este amor é, na verdade, o medo de não ter ninguém. O medo de quando tu precisares chorar, ninguém dar-te o ombro. O medo de quando algo de bom acontecer, ninguém querer ouvir-te. O medo de quando tu for à uma festa alguém abusar-te, pelo simples fato de não existir alguém, uma figura masculina, um homem ao teu lado. É medo de sair na rua e pensar que todos estão a julgar-te. É ,principalmente, o medo de nunca mais existir alguém que te ame. Os medos são tantos que se eu ficasse citando cada um, iria até semana que vem digitando. Cá entre nós, tu sabes dos teus medos. Não existe necessidade de apontar e frisar eles.

Por experiência própria sinto-me na obrigação de contar-te algumas verdades sobre a vida de solteira.

Primeiramente: a separação é o fim, literalmente. Quando tu decides desistir de alguém é porque aquela pessoa não te faz feliz e nem tu faz dela um ser radiante. Certifica-te de que não haverá dúvidas! Quando for o fim, será o fim e não existe voltar atrás – até porque são duas vidas envolvidas e nenhuma parará por causa da falta de decisão do outro.

Segundamente: abrir mão de alguém – mesmo que doa – pode ser a coisa mais libertadora do mundo! Quem namora sabe que quando tu te juntas com alguém, tua vida passa a ser “dois em um”. Há individualidade, claro. Mas tu te tornas tão dependente daquele ser humaninho que não existe forma de não tornarem-se um só.

Quando um dos dois, ou ambos, tomam a decisão de partir é porque a felicidade, o amor e o afeto não são mais recíprocos. Consequentemente tu não és mais feliz e quem ama sabe, acima de tudo, prezamos por ver nossa pessoa amada sorrindo, em paz, 100% certa de que está contente. Se elas não estão, precisamos deixar ir e viver nossas vidas.

A nossa vida muda e a da pessoa também. A liberdade de poder focar na própria felicidade é tão anestesiante que tu não tens raiva daquela pessoa, tu és eternamente grata por ela dar-te a oportunidade de seres feliz!

Terceira e última coisa: mesmo com todo amor do mundo, mesmo com toda reciprocidade, mesmo que pra vocês o mundo seja vosso, não é bem assim.

Quando estamos apaixonamos criamos, sem perceber, um mundo de dois. A casa é nossa. As tarefas são nossas. Os gostos são nossos. Os amigos são nossos. O Nescau é nosso. O shampoo é nosso. Tudo é nosso e o resto não importa, afinal, estamos felizes assim.

O.k! Eu concordo que quando amamos podemos, sim, dar-nos esse direito de sonhar, imaginar e até concretizar mas sabes aquele pézinho no chão que tanto nos atucanam quando amamos? É! Infelizmente ele é necessário. Quando as coisas desanda e o mundo do casal desaba, há a realidade à espera. Aquela realidade onde somos 1 em 7 bilhões. Somos um indivíduo entre tantos outros. Tantos outros que maioria nem conhecemos e é aí onde eu queria chegar; quando nosso mundo com alguém caí, existem outras 7 bilhões de possibilidades de novos mundos. Esse mundo é tão grande, como podemos esperar que acertemos o amor das nossas vidas em tão pouco tempo? Sequer conhecemos outras pessoas fora do meio do colégio, faculdade, trabalho, igreja e aula de tênis.

Amiga, pode não ter funcionado com ele, pode ser que ele tenha acabado com tuas esperanças de amar mas ele jamais será o único. Te joga nesse mundo de solteira e viva! Não viva à procura do amor, viva à procura de novas pessoas, novos ares, novas comidas, novos lugares, novos sentimentos, novas sensações e quem sabe, um novo amor?!

Ser solteira não é fácil, fato. São noites de carência, televisões quebradas è espera dele pra concertar, almoços sem sua presença, idas ao cinema nada românticas e muito mais. Não prometo que tu encontrarás alguém pra suprir essas necessidades, carência principalmente mas o que é carência de namorado quando se tem festas, Mc Donalds, amigas e champanhe?

Quando precisares chorar tens tuas amigas – sou uma ótima ouvinte e adoro ajudar. Quando quiser sair, vá sozinha ou chame alguém, duvido que não tenhas ninguém pra levar ao centro. Quando quiseres carinhos, há carinho melhor do que carinho de mãe? Quando quiseres beijar, vá à festa – se joga! Quando quiseres ser feliz, não necessitas de ninguém além de tu mesma.

Por fim, vai doer e vai passar. Vais aproveitar tua vida como nunca antes. Vais conhecer-te como nunca. Vais aprender coisas sobre o comportamento humano que nunca imaginaste. Vais aperfeiçoar quem tu és, mudar o que já foste e conhecer-te como outra pessoa.  Só não tenhas medo do que for novo, a rotina é tão chata.

Não te prendas à alguém se não amas. Se o problema for medo de ser feliz, digo, solteira, lê o texto e põe em prática. Podemos ser novas mas o tempo não para nem pra quem ama.

bobsin

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. Débora, bom dia!!!
    Que belo texto, obrigada por nos proporcionar essa bela reflexão sobre a vida de solteira! 🙂
    Obrigada e parabéns mesmo pelo texto!
    Beijos :*

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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