Não era quente. Não era frio. Não era nada, mas também não era vazio. Era cheio de coisas que vazias que tinham tudo. Tinham tudo aquilo que eu não precisava ter. Não via dias, não via noites, tudo não passava de nada e lá eu estava, só, com tudo.

Parece confuso, confesso, mas eu tentava fugir daquilo que eu não sabia o que era. Ia para qualquer direção à espera não sei do que e um espaço pequeno era tão grande que dois passos requeriam dias de um esforço que não fazia parte de mim.

É complicado.

Demorei a compreender e até hoje não sei se compreendi.

Eu estava no inferno, sentia, mas não sabia dizer com clareza onde que ficava ou como chegara e com o passar desses todos que não eram nada eu mergulhava numa agonia de fantasias e histórias que, mais tarde, entendi: eu mesmo que inventara.

O inferno era dentro de mim.

Eu fui o seu senhor. O meu senhor. Nada eram os meus problemas, aqueles dilemas aos quais eu concedia a honra de me tocar e, como mágica, meus cansaços, iras, descasos e preocupações ocupavam tanto espaço que eu mesmo, imagine, fiquei pequeno.

Era pesado.

Era complicado sair e quando mais força eu fazia para empurrar, para tirar, pra sair, mais preso eu acabava por ficar. Estava ali. Sozinho. Dentro de mim mesmo e com nada além de mim pensando em tudo o que devia por fim e não pusera.

Até compreender que para sair eu deveria me livrar de todo aquele lugar levou tempo. Me livrar daquilo tudo não seria problema, eu dizia, mas o difícil é que para me livrar desse todo eu precisaria, primeiro, me livrar de mim.

Não totalmente. Não, não desse jeito.

Eu precisava do eu que me prende. Do responsável por me aprisionar o riso, por me fazer chorar, por me martirizar. Eu precisava me livrar de mim.

Eu tentei.

Consegui sair, mas voltarei para lá.

Por mais que eu consiga limpar todo aquele lugar um resquício sempre há de ficar e esse acumulo de nadas que me preenchem a mente insiste em voltar e me levar. Um dia talvez eu aprenda a lidar com inferno que é enfrentar a mim mesmo, ou talvez decida somente aceitar.

Essa foi somente a primeira vez em que eu fui para o inferno, sai, mas luto contra essa (não)vontade que me faz querer voltar.

alan

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Alan Barboza