– E ai, vai para onde, doutora?

Ajeitando o cabelo e passando o batom, ela prontamente lhe respondeu: – Por favor, para a Rua da Direita. 

– Naquele beco sem saída? 

– Isso, naquele canto esquecido da cidade, onde a lua ilumina até os ratos que fazem festa no lixo. 

Ele seguiu com o carro, e como sempre, observou pelo retrovisor. Seus olhos estavam atentos aos movimentos dela. Seu colo estava a mostra e o contraste do seu vestido preto com sua pele branca enalteciam a sua visão. Ao longo da viagem ela percebeu que estava sendo admirada. Percebeu que ele a beijava com o olhar, e como sempre gostou das coisas simples, não rodeou em lhe indagar se precisava de algo: – O senhor está precisando de algo?

Seu olhar se perdeu, mas ele foi rápido na resposta: – Não, está tudo certo. – A viagem seguia tranquila. Observando o luar, ela começou a dizer o quanto se sentia bem nas noites de verão: – Essas noites de verão me fazem tão bem. É como se o luar me revitalizasse. 

Ainda com olhares atentos no retrovisor, ele respondeu: -Realmente, este luar está lindo. Tão lindo quanto sua pele, tão contagiante quanto seu perfume. – Após ter se atrevido a elogiá-la, fixou os olhos no volante e aguardava milésimos segundos por uma reposta, quando se surpreendeu com o que viu. Ela estava se despindo e somente uma lingerie preta cobria sua pele. 

Sem qualquer pudor, se aproximou de seus ouvidos e lhe respondeu: – Sim senhor, o luar é mesmo contagiante e me faz bem. Me faz bem porque é isso tudo que você diz e muito mais. As noites de verão tem esse poder. – Após quase bater o carro, ele parou. Olhou para trás e lhe respondeu: – Mas que bela noite de verão, não é mesmo?! Chegamos senhorita, mais alguma coisa?

Era um beco sem saída, não tinha nada. Latas de lixo no canto da parede e o portão velho e enferrujado de um galpão abandonado, iluminados pelo luar, ajudavam a ilustrar o cenário. 

Retocando o vermelho dos lábios, ela sorriu e lhe respondeu: – Sim, uma dose extra de prazer e uma porção de amor. Pode ser? Afinal, não é uma noite qualquer, é uma noite de verão. 

Ele sorriu e naquele momento ela entendeu qualquer coisa positiva em seu olhar. Precisou de poucos segundos para pular para o banco da frente e cair em seus braços. 

Naquela noite, a lua foi testemunha do êxtase em uma noite de calor. Gatinhos estavam sentados na beira do muro, quando miaram e aquele som, acompanhado de gemidos, entoou uma canção única naquele lugar, cujo codinome era prazer. Era pra ser só uma corrida de táxi normal, se não fosse o casamento de dois corações e a química de dois corpos, que jamais será capaz de se explicar. E ao se recompor, ela olhou para ele e logo indagou: – Querido, você trancou as janelas antes de sair? – Ele sorriu e respondeu: – Claro que não, meu amor. Afinal, é mais uma noite de verão e eu sei o quanto o luar te faz bem. 

Ambos os sorrisos brilhavam e, após um beijo apaixonado, seguiram para casa. Naquela noite, não só a lua, como os gatos, os ratos, as baratas e todo o conjunto daquele que seria só mais um lugar fétido e abandonado na noite, foram testemunhas do amor trabalhando com a fantasia…

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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