Quem me viu há um tempo deve estar achando no mínimo engraçado ler isso, afinal, demorei séculos para me libertar desse medo. Demorei muito mesmo. Travei a vida, desacreditei no amor. Tive receio de me aproximar de novas pessoas e nem a cachaça me fazia quebrar essa barreira. Disse vários nãos, quis fugir, baixei o tinder e em seguida desinstalei para não correr o risco de achar alguém que me prendesse ali. Tapei os ouvidos para todos os “tenho uma amiga para te apresentar”. A palavra relacionamento me socava a barriga, a palavra amor me enjoava. Será possível que em meio a tantas entregas no fim só teríamos distância, desacordos, desinteresse e sofrimento?

Eu perdi a crença no amor, mas, em compensação, acreditei em dobro no tempo. Tempo, tempo, tempo. Se não for ele, meu amigo… Você vai parar de enxergar sentido e significado em todas as coisas. Não vou dizer que perdi totalmente o tesão de ter alguém, até mesmo porque depois que a poeira deu uma abaixada eu me disponibilizei para algumas pessoas, mas isso só por uma noite, um dia, uma semana no máximo. Eu não queria isso. Eu não era e nem sou essa. Eu gosto do frio na barriga, gosto de ter alguém que me faça querer ficar, gosto de ter alguém para cuidar, alguém para compartilhar histórias e experiências, alguém que me faça escrever sobre o lado mais “brega” do amor sem ter a menor vergonha. Gosto de ter um colo para voltar quando o dia não for bom, quando o peso do trabalho e dos estudos me doer as costas. Gosto de ter com quem dividir a cerveja, o vinho e o café com leite, gosto da saudade que bate em menos de três minutos depois de a pessoa ter ido, gosto de sentir o cheiro e sorrir toda vez que recordá-lo. Eu gosto disso: do intenso, daquilo que me faz enxergar que vale a pena tentar de novo.

O processo é longo, é doloroso, difícil. Você vai achar que nunca mais vai encontrar alguém que realmente te faça feliz, alguém com quem você queira estar 24h, alguém que te dê a coragem de dizer um eu te amo. Os dias passam correndo e você começa a abrir os olhos e redescobre um mundo que é muito maior do que aquele em que se trancou. Quando começar a perceber isso tenho a certeza de que é a hora certa de estufar o peito e seguir em frente, você tem um longo caminho, caminho esse que apenas será percorrido se você tiver a iniciativa do primeiro passo. 

Descobri que sou capaz de me interessar por outras pessoas, descobri que as borboletas podem se agitar a qualquer momento sem que eu espere. Descobri que o amor vai ter suas falhas, mas ainda assim valerá a pena, descobri que a dor uma hora passa e que realmente não podemos deixar com que as angústias do passado reflitam no futuro, descobri que tenho força suficiente para amar uma, duas, três, quinze vezes se for preciso e se for isso que me fará sentir o coração bater mais forte, querer escapulir pela boca. A sensação é gostosa, se entregar a isso é sensacional e a reciprocidade pode estar prestes a bater na porta, portanto, liberta-te do medo de amar. 

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Thais Oliveira

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