O menino andava pelos trilhos do trem, levando seu livro preferido. Tinha pouco mais de 10 anos. Há pouco tempo passou seu aniversário aninhado em uma árvore, olhando a pequena cidade que se localizava no pé da montanha. De lá podia ver todo o povoado. Naquele momento ele estava voltando para casa, depois de mais um dia andando pela montanha. Talvez você pergunte o que um menino de pouca idade estaria fazendo por aí, vulnerável a qualquer perigo. 

O relógio da igreja anunciava as horas – seis da tarde. Era o momento em que todos naquele lugar se recolhiam para suas casas, e o horário que o corajoso menino saía. Sua mãe nem dava conta do sumiço, pois ele esperava todos irem para os seus aposentos, e entrava no porão. Lá havia uma pequena brecha, de acordo com a sua circunferência, pela qual passava para o lado de fora da casa. Rodeava a casa e olhava a pequena vila à sombra da montanha. Não havia ninguém, apenas um silêncio ensurdecedor. Ninguém saía àquele horário. 

Hoje faz um mês que ele saiu pela primeira vez de casa na hora inapropriada – segundo o povoado. Foi nesta noite de ida ao desconhecido que ele encontrou seu tesouro, o livro intitulado: Venha para fora, de Ranev Some. Dentro desse livro ele descobriu os trilhos escondidos dentro da mata, direcionado para a montanha. Aquilo parecia mais um guia do que um livro. No prefácio estava escrito: “Você está pronto para sair do seu mundo e descobrir algo novo? Vivi dentro de uma vila fechada, cheia de costumes e regras que não nos permitiam sair daquele lugar, a não ser pelo fato de você ter o dom da liderança. Tendo este dom, você poderia sair da região para desbravar outros lugares, na condição de voltar anos depois para substituir o atual líder. Obviamente, eu sempre fui um cara de poucos talentos. Amigos de escolas, bons em tudo que faziam, eram os mais cotados para futuramente receber o título. Mas eu tinha um dom que todos questionavam: eu era curioso …”

Aquilo foi o bastante para ele, se identificara com aquele autor. Então, ainda mais potencializado de coragem, ele resolveu embrenhar-se na mata, seguir a trilha em busca de algo. Não sabia o que iria encontrar, apenas queria seguir o caminho. 

Horas depois de uma longa caminhada, o horário passava das oito da noite, ele se deparou com uma enorme árvore. Por todos os lados ouvia-se barulho de animais andando, morcegos, entre outros bichos notívagos. Então, ele resolveu subir, ler um pouco mais do livro e, no amanhecer, voltaria para casa. Aliás, os trilhos do trem terminavam naquela grande árvore. 

Sabemos como é ser guri, ele subiu com a facilidade de um respirar. Esta era muito grande, e ele queria chegar na copa. Foi então que ele se deparou com a primeira surpresa ao chegar lá: avistou um céu empoeirado de estrelas, algumas riscando o ar. Aquilo para ele parecia impossível. Como as pessoas não sabiam daquilo? Olhando para sua esquerda, avistava a pequena vila iluminada por uma enorme lua. E à sua direita dava para ver a parte de trás da montanha. Foi aí que ele ganhou vida!

Seus olhos brilharam como talvez os de nenhuma criança havia brilhado. Aquela visão era uma coisa que mudaria todo o pensamento daquelas pessoas sobre o que é a vida. Abriu rapidamente o livro para saber se o autor havia registrado a mesma cena, mas só estava escrito um detalhe voltado para tal: “Se você está vendo uma cena na qual nunca imaginara, sinta-se como um ser especial, pois somente uma pessoa viu isto. E é este que vos escreve. Você deve pensar que os líderes também tenham visto. Mas não, pois todos somente rodeavam o sopé da montanha e ali montavam acampamento, passando anos apenas naquela pequena região. Todos foram educados a não sair das redondezas, quem seria o mais curioso para ultrapassar os limites?

Vendo aquilo, o menino resolveu que iria ser o primeiro a escrever detalhes sobre o que vira, e viria todos os dias embusca de um registro detalhado de sua visão, que seria uma das maiores descobertas. 
 

P.s: Agora você deve estar me perguntando, caro leitor, o que ele viu que mudaria a vida da pacata vila. Sobretudo, a vida dele. Mas aqui eu deixo que você escreva nos comentários – se você quiser – o que imaginou na hora em que o menino se deparou com a cena, e dou a você a oportunidade de completar esta história.

 

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Jhonata Santos

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