Olhei bem no fundo dos olhos dela e perguntei:

– Tudo o que vivemos, tudo pelo que passamos, todos os beijos, abraços, momentos e olhares… Ainda significam algo para você?

Ela suspirou afetuosa e me fitou com uma certa pena.

– Sem dúvida. Significam o passado. Um passado feliz, divertido, intenso e marcante, mas um passado. Morto, finito e completo. Acabou.

As lágrimas não tardaram a escorrer pelo meu rosto, revelando um misto de tristeza e frustração.

Que mundo louco é esse em que as pessoas preferem se afastar daquelas que demonstram algum tipo de sentimento? Que culpa eu tive de me deixar levar pelo seu amor? Não é para isso que estamos aqui?

O meu excesso ao me entregar fez com que você perdesse completamente a atração que tivera por mim um dia. O louco não sou eu; o mundo é que é surtado. Eu me recuso a aceitar que a culpa de ser o que sou é minha.

O que deveria ter feito, afinal? Sorrido menos? Disfarçado meus sentimentos? Recusado seus convites, mesmo estando com vontade? Servir como um mero parceiro sexual e depois ir embora, ignorando o fato de que, para mim, a parte mais prazerosa do nosso amor era a conversa depois do sexo? O que diabos eu deveria ter feito para você ficar, amor?

Posso perder muitas vezes, que seja, me derrotem. A verdadeira vitória, eu sei, estará no olhar daqueles que entenderem que não é o coração que faz parte do corpo, mas sim o corpo que é apenas uma carcaça moldada para transportar aquilo que de mais importante tem nesse mundo.

Um dia, todos vocês irão entender. Até lá, aproveitem o simulacro que estão inseridos. No contexto em que vivemos, “verdade” se tornou apenas mais um vernáculo do mesmo velho dicionário abandonado.

cassar

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Gabriel Cassar

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