A porta ainda está aberta. Você jurou voltar. Já fazem 5 meses e eu ainda a deixo aberta. Curiosos já entraram e ao me ver sentada a te esperar resolveram não mais ficar. Vez ou outra eu dou uma rápida olhada para fora, vejo as árvores e o ar convidativo que sopra, mas ainda não vejo o seu carro chegando apressado e com o som a todo volume. Todos lá fora me pedem para sair e trancar a porta. “Ele não vai voltar”, falam. Eu ignoro e continuo a encarar a arte da espera. Tenho esperança de que você volte, bata e entre sem jeito. Todo envergonhado. Me olhe nos olhos e diga que resolveu deixar o medo de lado, resolveu ficar ao meu lado. Mas você não vem. As horas passam, os dias se arrastam e as semanas terminam e começam outra vez. Você ainda não voltou.

Resolvi, então, fechar a porta. Mas não a tranquei, eu não conseguiria viver com a possibilidade de você voltar e a encontrar trancada. Ela ainda está aberta, não como antes, mas ainda está, basta empurrá-la de leve. Eu estou lá fora, descobrindo as coisas que você tanto me privou de saber. E quer saber, entendo você ter me privado, pois eu nunca mais iria querer voltar ao teu casulo. Estou aqui, vivendo outros amores, tomando outros porres. Porres de cervejas importadas, vodkas baratas. Porres de beijos e abraços. Te vejo perambulando por esse mundo a fora e já não te imagino preso a mim, não me imagino presa a ti. Procuro, inconscientemente, um espelho teu, mas quando acho ao menos um reflexo logo dou um jeito de fugir para longe. É que quero outro espelho, outro amor. Mas o problema é que teu desprezo me deixou com medo. Medo de viver outro amor, medo de me entregar outra vez, medo de me afundar novamente em expectativas frustadas.

A fechadura ainda permanece da mesma maneira de quando você se foi, a chave ainda é a mesma, pode abrir com a sua mesmo. E eu espero você voltar e encontrar tudo bagunçado, como quando você se foi. Você só não vai me encontrar, não mais. Estarei lá fora, vivendo o que você nunca me deixou viver. Amando quem também me ama. Entre, fique a vontade. Tem café no fogão, é só esquentar. Tem aquelas bolachas que tu adora na mesa ao lado do tua coleção de CDs. Se sentir frio, teu moletom velho ainda está no meu armário, te peço perdão se ele estiver com meu perfume, é que por dias ele foi a minha única lembrança de você. Vais sentar onde eu estava sentada? Para me esperar? Sinta-se em casa. Afinal, ela já foi a sua casa também… a nossa casa. Só não espere eu voltar, eu já estou em outras casas, em outros corações.

 vic

 

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Victória Martins