Tinha um som na sua alma, ela caminhava pelas ruas tentando aquietar o coração. Sabia que não podia esperar muita coisa, mas queria a oportunidade de olhar em seus olhos mais uma vez. Já estava na rodoviária, prestes a embarcar para sua nova vida. Chegou a pensar que ele não viria, que era melhor esquecer isso. 

A caminhada até o ônibus parecia uma via sacra. Sentia como se estivesse prestes a entrar naquela sala pequena, branca e fria onde se toma injeção. Pois entrar naquele ônibus, sem ver seu sorriso outra vez, sem olhar em seus olhos, soava como uma picada forte em seu coração. O resultado certamente seria dor, porém, pensou: logo passa. Entrou no ônibus, ficou a olhar pela janela. No lado de fora, o cenário era típico de rodoviária, pessoas indo e vindo. Foi nesse momento que refletiu: no fundo todos esperam um amor que venha para somar. 

Já com os olhos rasos de lágrimas, colocou seus fones de ouvido, deitou o banco e fechou os olhos. O ônibus já estava para sair, quando alguém com uma touca na cabeça e o rosto quase que todo coberto, entrou e sentou ao seu lado. 

Ela já estava fatigada demais para se quer abrir os olhos e verificar de quem se tratava. Continuou imóvel em sua música. Ele olhou para ela, ficou por cerca de dois minutos observando sua face, até que de um jeito suave, beijou sua testa. Não tinha mãos de moça, mas tinha um toque suave, sabia perfeitamente como beijá-la e tocá-la. 

Parece estranho, mas ela não se esquivou. Já estava cansada, respirou fundo ao ser beijada e sentiu o perfume que durante tanto tempo esteve ao seu lado. Parecia um sonho e não quis acordar. Sorriu com os lábios e por um instante pensou que não precisaria chorar de saudades, porque ele estava ali. 

Ainda a observando, ele sorriu, mas não quis dizer nada. Passou a mão em seus cabelos, sentiu o perfume e em um afago a tomou pela cintura. Nesse instante, ela abriu os olhos e deu de cara com o dono do seu sorriso nos últimos meses: – Eu pensei que não fosse aparecer. – Ele prontamente lhe respondeu: – Só se eu fosse maluco para te deixar ir embora assim. 

Parece loucura, mas em seus olhos a única coisa que se via era desejo e paixão. Ela sempre foi como fogo, capaz de beijá-lo somente em um olhar e deixar brasas no rastro por onde passa. Aos beijos, no cantinho do ônibus, bem lá no fundo onde sentaram, já com as luzes apagadas, ela era só dele e ele só dela. Ela ainda quis argumentar: – Mas se… – E ele imediatamente sussurrou em seu ouvido: – Se você é minha, não existe se.. 

Aquilo foi demais para ela, era como se agora caminhasse para a fila do sorvete. Estava prestes a pegá-lo e aquela fila, apesar de parecer interminável, lhe era prazerosa. Porque ele era mais que isso para ela, mas podia facilmente compará-lo ao seu doce preferido. O qual gostava e precisava naquele instante, saborear com toda atenção e dedicação que ofertava aos seus prazeres, a tudo que lhe agitava a alma e desinquietava o coração. 

Praticamente em êxtase, só tinha a luz do luar sobre ela. Por um instante, ele a olhou e viu sua face como nunca antes. Observando sua pele branca e macia, não se conteve. Com o corpo em chamas, beijou seus seios de um jeito suave e quente. Entre um carinho e outro, em um olhar perceberam que já se pertenciam. Foi quando exalando prazer desde o seu toque até seus beijos, ele sussurrou em seu ouvido: – Se… – Ela o interrompeu: – No fundo todos esperam isso né?! – Ele prontamente completou: – Então como poderia te deixar ir?

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Sobre Jornalismo de Boteco

Paulinho Rahs Escritor, compositor, poeta solitário, vocalista da Arcadia e criador do Jornalismo de Boteco. Entusiasta, subversivo e magnânimo, contém na lista de vícios café, cerveja, o Foo Fighters e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. https://www.facebook.com/PaulinhoRahsOficial/

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Thamires Benetório

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