Essa é a história de Isabella, mas que pode ser confundida com a sua, com a minha ou com a de qualquer outra pessoa que um dia depositou toda a esperança em uma relação que terminou muito antes da hora, e que teve uma causa mortis bem comum nesse cenário: um transplante de coração mal sucedido.

Ela é daquelas mulheres loucas, mas com a consciência sempre tranquila. Seu sorriso é fácil, seu olhar é sincero e o seu coração é do tamanho de um prédio. Mas isso sempre a enlouqueceu. Passava noites sem dormir tentando imaginar um personagem que cuidaria do seu coração como se fosse de cristal. Era como caminhar pelo inferno. Pois o coração não se acostuma com o desconforto de se ajustar onde não há espaço. E era quase impossível achar alguém disposto a ceder uma área tão grande.

Eis que aparece uma luz no fim do túnel, de surpresa, aos 46 minutos do segundo tempo, naquele momento em que os torcedores começam a deixar o estádio. O amor sempre dá as caras nos acréscimos. A intensa procura de Isabella resultou em um achado inesperado. Se apaixonou logo pelo que sempre esteve na sua cara, mas que foi sempre ignorado. O amor também se esconde no óbvio, naquilo que você só percebe depois de tropeçar ou pisar em cima.

Enfim, após toda essa aflição, apareceu a oportunidade que sempre quis. E ela abraçou com toda a sua força. Iniciou-se uma relação daquelas que só assistimos nos cinemas. Demorou, mas foi tudo como ela sempre imaginou. O abraço apertado, a conversa sincera, olhos nos olhos. Aqueles primeiros meses eram de dar inveja a qualquer casal.

Mas essa Isabella… pobre menina. Se esforçou tanto para encontrar um ambiente seguro e que coubesse o seu coração, que se esqueceu do que receberia em troca. E não foi nem a metade. Sobrou muito espaço. O coração começou a bater fora do compasso, com folga, com descuido. A parada cardíaca foi inevitável. E ela nem tentou reanimá-lo. Exigiu logo o seu de volta. Desfez a troca. Percebeu então que não bastava alguém que comportasse os seus excessos em troca de espaço não preenchido.

Esperemos a próxima cirurgia, foi mais um transplante mal sucedido.

Assinatura Neto Boteco

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